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10 anos do Centro de Referência LGBTI Edson Néris

  • Escrito por Douglas Cavalcante
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Equipamento completa uma década como espaço de acolhimento, escuta e garantia de direitos para pessoas que enfrentam diariamente as violências e desigualdades impostas pela LGBTfobia


Em 31 de março de 2016, a Prefeitura de São Paulo inaugurou o segundo Centro de Cidadania LGBTI da cidade, localizado em Santo Amaro, com o objetivo de atender a população LGBTQIAPN+ da zona sul da capital. O equipamento surgiu como parte de uma política de governo voltada à promoção e defesa dos direitos LGBTI, fruto do investimento da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC), em parceria com a UNAS, responsável pela gestão do espaço. 


Para Gerohannah Barbosa, mulher trans e gestora do projeto desde a sua criação, o centro cumpre um papel fundamental na vida dos atendidos. “Esse lugar é fundamental na vida das pessoas LGBTI da nossa cidade, aqui é um espaço de acolhida, de escuta e abraço, onde essas pessoas são atendidas por outras pessoas também LGBTI, que entendem seus anseios e angústias. O Centro de Cidadania é a casa dos sonhos como muitas relatam para nós no dia a dia”.


Em 2025, o Centro de Cidadania passou a se chamar Centro de Referência LGBTI. Para além da mudança de nome, o equipamento também ampliou seu funcionamento, passando a atender de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, além de um sábado por mês, estratégia que busca garantir o acesso de pessoas que não conseguem utilizar o serviço durante o horário comercial.


A ampliação do período de atendimento também possibilitou fortalecer o acompanhamento técnico e multiprofissional, com equipes psicossocial, socioassistencial, jurídica e pedagógica. Com a nova fase do projeto, o equipamento mudou-se para a Estrada do Campo Limpo, nº 2690, onde passou a contar com uma estrutura mais ampla, com mais salas destinadas aos atendimentos e às atividades formativas, incluindo as ações do Programa Transcidadania. “A gente que é travesti sabe que passa diariamente por humilhação, desrespeito, desaprovação e pela desumanização da nossa identidade. Então, a partir do momento em que a gente tem um espaço como o Centro de Referência Edson Néris, que nos possibilita adentrar o mercado de trabalho, nos potencializar e nos capacitar profissionalmente, a gente começa a acessar também esses espaços de privilégio e poder. Isso é fundamental para que possamos construir mais equidade para a nossa existência na sociedade.” destaca Angel Guedes, 25 anos, mulher trans e usuária do projeto.



Em celebração aos 10 anos de sua inauguração, a equipe do Centro de Referência LGBTI Edson Néris, realizou um lindo evento na última semana para exaltar uma década, como ponto de acolhimento, escuta e garantia de direitos para quem enfrenta diariamente as violências e desigualdades impostas pela LGBTfobia.


Celebração aos 10 anos do Centro de Referência LGBTI Edson Néris | Foto: Douglas Cavalcante
Celebração aos 10 anos do Centro de Referência LGBTI Edson Néris | Foto: Douglas Cavalcante

Gabriel Honório, assistente de gestão do espaço, destaca a importância deste marco para este público, frequentemente invisibilizado por seu gênero e/ou sexualidade. “São dez anos de portas abertas para quem, tantas vezes, só encontrou portas fechadas. Celebrar esse marco não é apenas marcar uma data no calendário. É reconhecer que cada ano de existência deste centro foi construído a partir da resistência de pessoas reais, com histórias reais, que chegaram até aqui buscando dignidade, proteção e, acima de tudo, o direito de existir.”


Com uma programação que contou com palestras, seminários, intervenções artísticas e muitos momentos de encontro e celebração, a semana em comemoração aos 10 anos do equipamento marcou um importante momento de reafirmação do espaço como referência no atendimento à população LGBTQIAPN+ da zona sul da capital paulista.



Angel comenta sobre o papel do projeto na vida dos atendidos e destaca sua importância como um instrumento de transformação social. “O Centro de Referência aberto significa dar continuidade à potencialização e à capacitação desses corpos, para que a gente consiga ser referência nos nossos meios e não fique restrita apenas à prostituição e à marginalização dos nossos corpos.”



O Brasil segue liderando o ranking mundial de violência letal contra a população LGBTQIAPN+, o que representa uma morte a cada 34 horas no país. Esses dados alarmantes evidenciam que a luta em defesa dos direitos LGBTI ainda enfrenta muitos desafios. Diante desse cenário, Gerohanna alerta para a necessidade de avanços estruturais:


“O Centro de Referência é uma conquista histórica do movimento e da luta por direitos. Mas também precisamos avançar para que ele se torne uma política pública permanente. Hoje ele existe como um programa de governo, e programas de governo podem estar funcionando hoje e simplesmente deixar de existir amanhã.”


 
 
 

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