EMEF Gonzaguinha receberá projeto inovador que busca mitigar os impactos das mudanças climáticas
- Escrito por Douglas Cavalcante
- há 23 horas
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Escola em Heliópolis integra consórcio entre sociedade civil organizada, academia e poder público em projeto coletivo de espaços verdes, sustentáveis e populares
Heliópolis foi palco de um encontro histórico na manhã desta sexta-feira (08). A sala de leitura da EMEF Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior reuniu educadores, pesquisadores, representantes do poder público e lideranças comunitárias para o lançamento de uma nova iniciativa voltada à mitigação dos impactos das mudanças climáticas no território. O projeto piloto de pesquisa-ação foi construído ao longo de quase dois anos de encontros, diálogos e estudos, resultando em uma proposta coletiva que reúne o Centro de Estudos das Cidades - Laboratório Arq.Futuro do Insper, a própria EMEF Gonzaguinha e a UNAS, além da co-criação da Secretaria Municipal de Educação, da Delft University of Technology, a SP Obras, da Faculdade de Medicina da USP, do Hospital Sírio-Libanês e da Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas da Cidade de São Paulo.

O projeto olha para a escola como parte do território e como uma possibilidade de ampliar a presença de áreas verdes na comunidade, integrando o espaço público às pessoas. A proposta também busca medir esses impactos. Em parceria com a Faculdade de Medicina da USP, serão analisados o cenário atual, o processo de implantação do projeto e, posteriormente, os resultados relacionados à saúde e ao bem-estar da comunidade escolar e dos moradores do entorno.
“Este é realmente um projeto de pesquisa-ação, porque é tanto um trabalho científico quanto um projeto de ação concreta. É um projeto piloto para fazer das escolas, lugares mais verdes, criar florestas para as pessoas, as crianças, e toda a comunidade escolar brincar e se conectar novamente com a natureza.” explica Laura Janka, arquiteta e membra do Centro de Estudos das Cidades Arq.Futuro do Insper.
Marília de Santis, diretora da EMEF Gonzaguinha e atuante na educação pública em Heliópolis há quase 20 anos, destaca o marco histórico do encontro, que pode consolidar um modelo inovador para o território. “O encontro de hoje foi histórico, foi a realização de uma articulação muito complexa, que a gente vem fazendo já há bastante tempo aqui no território, nessa busca pelo bairro educador. Então, a gente ter a presença do poder público, da sociedade civil organizada e da academia em um consórcio, faz com que a gente tenha uma perspectiva de viver um processo de pesquisa-ação com intervenções concretas”.

Derrubar os muros físicos e invisíveis é um dos pilares do conceito de Bairro Educador, que norteia as ações da UNAS e também dos equipamentos públicos e sociais presentes no território. Esse olhar para a comunidade em sua integralidade, pautado no acesso a direitos e à cidade, foi naturalmente incorporado pelo projeto.
“O Gonzaguinha foi escolhido, porque enfrenta problemas que outras escolas enfrentam, mas a atuação comunitária histórica, que abre portas, que permite a construção colaborativa, nos trouxe até aqui” destaca Paulina Achurra, professora de Engenharia e Ciências da Computação no Insper e membra do Centro de Estudos das Cidades Arq. Futuro do Insper.
Ao longo de toda a manhã, o grupo reunido na escola debateu a estrutura do projeto e definiu a criação de grupos de trabalho responsáveis pelos próximos passos da iniciativa. Com duração prevista de cinco anos, o projeto contará com obras de infraestrutura dentro da unidade escolar, além de ações de mobilização social e educação voltadas à comunidade. Os grupos de trabalho atuarão em diferentes frentes, como Execução do Projeto, Pesquisa e Dados, Participação Social e Articulação, além da área de Governança, fortalecendo uma construção coletiva entre comunidade, poder público e instituições parceiras.
Marília explica que para o sucesso do projeto essa integração das pessoas e dos espaços é importantíssima. “A presença das lideranças comunitárias também representa uma importância muito grande, porque a gente tem que pensar na governança democrática dos espaços públicos, esse projeto de pesquisa-ação prevê um ambiente de colaboração entre todos esses atores sociais que, com certeza, vão reverberar muito na qualidade do atendimento que a gente realiza na escola e no bairro.”
Cleide Alves, presidenta da UNAS, lembra que o local onde hoje funciona a escola abrigava os campos de futebol do Flamengo e da Portuguesa. Segundo ela, a comunidade teve o cuidado de preservar aquela área sem ocupações, já reivindicando, naquele momento, a construção de um espaço educacional, que anos depois se materializou na EMEF Gonzaguinha, na EMEI Otaviano José e no CEI Margarida Maria Alves. Para Cleide, cada novo projeto desenvolvido no território precisa estar conectado às necessidades reais da comunidade.
“Essa área eram os campos do Flamengo e da Portuguesa, e estar aqui hoje mostra a importância da nossa luta, o quanto foi importante a UNAS e os moradores terem deixado esse espaço para a escola. Hoje, precisamos olhar para a educação não só no sentido do prédio, mas também dessa articulação com a comunidade e com as necessidades das pessoas. O projeto é muito bem vindo, e somos imensamente gratos a todos os parceiros envolvidos”
Laura ressalta ainda o papel de onde se quer chegar com a iniciativa, que é a qualidade de uso do espaço público e a reconexão com o verde e a natureza “As mudanças climáticas, em específico o calor, é algo que a gente está vivenciando e é uma problemática crescente, com impactos na saúde. A gente está querendo transformar a escola, tirando os muros, abrindo as paredes, despavimentando, para fazer novamente dessa escola uma área verde de alta biodiversidade. Depois quebraremos os muros para fora, para que essa área verde possa se transformar em um parque de acesso comunitário.”






































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