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Vivência pedagógica leva crianças para colherem frutas em quintal da comunidade

  • Escrito por André Silva | Editor Douglas Cavalcante
  • há 10 horas
  • 4 min de leitura

De onde vêm as frutas? Creche sob gestão da UNAS em Heliópolis transforma curiosidade infantil em aprendizagem


Nos últimos anos, a UNAS tem promovido, em sua linha de ação, uma iniciativa que integra o projeto pedagógico com a educação ambiental, envolvendo profissionais de diversas áreas, as crianças e os adolescentes atendidos em um amplo leque de projetos realizados em Heliópolis e nas regiões do entorno. Recentemente, essa iniciativa tem se destacado por meio dos projetos Da Horta para a Mesa, Raízes Sustentáveis e também em um amplo trabalho voltado à educação ambiental nos CEIs — Centros de Educação Infantil, gerenciados pela UNAS, com todo um trabalho envolvendo as hortas pedagógicas.


Essa educação ambiental tem feito parte do cotidiano das crianças nos CEIs, servindo como uma vivência que permite o primeiro contato com a terra e com práticas sustentáveis, além de promover o envolvimento com o território como mecanismo de aprendizagem. Recentemente no CEI Girassol este processo foi pensado após um momento divertido e inocente com as crianças sobre a origem das frutas. “De onde vêm as frutas?” Para elas, estão estritamente relacionadas às feiras e aos sacolões.

Crianças e Educadoras do CEI Girassol colhendo carambolas na casa de Dona Lica e Seu Beto em Heliópolis | Foto: Douglas Cavalcante
Crianças e Educadoras do CEI Girassol colhendo carambolas na casa de Dona Lica e Seu Beto em Heliópolis | Foto: Douglas Cavalcante

“Trata-se de uma experiência profunda, pois reconhece a criança como sujeito ativo, curioso e capaz de produzir conhecimento a partir de suas próprias indagações. Quando a proposta nasce das hipóteses infantis, como a ideia inicial de que as frutas vêm apenas da feira, o que se inaugura é um percurso investigativo legítimo, no qual a criança observa, questiona, experimenta, compara e reconstrói suas compreensões sobre o mundo.” explica Valéria Moura, gestora do CEI Girassol. “Nesse movimento, a aprendizagem deixa de ser transmissão e passa a ser descoberta.”


Partindo da perspectiva do Bairro Educador, que compreende o território como um espaço vivo de aprendizagem, a equipe do CEI Girassol pensou em uma resposta que fosse lúdica e imersiva, promovendo o encontro com a comunidade e com seus moradores. A partir dessa ideia, as crianças, a equipe gestora e as famílias visitaram o quintal de Dona Lica e Seu Beto, ambos moradores de Heliópolis há mais de quarenta anos. 


Dona Lica e Seu Beto em frente a sua Caramboleira | Foto: Douglas Cavalcante
Dona Lica e Seu Beto em frente a sua Caramboleira | Foto: Douglas Cavalcante

O casal mantém, em seu quintal, uma caramboleira que, ao abrir os portões, encanta as crianças — e a equipe — do primeiro ao último olhar. Com o acompanhamento das professoras Eloiza e Scarlett, as crianças conheceram de perto a árvore frutífera enquanto compreendiam a verdadeira origem das frutas. A fim de assegurar uma vivência prática e segura, elas também experienciaram o processo de colher as carambolas.


A atividade com as crianças no quintal também cumpriu um papel sensorial através da degustação das carambolas por meio de pedaços da fruta em seu corte estelar e também de um suco carinhosamente preparado pela Dona Lica, estendendo este momento de aprendizado também ao paladar. Dona Lica destaca a satisfação de receber as crianças para esta vivência.



“Foi um dia muito especial pra nossa família receber as crianças aqui em casa para conhecer nosso jardim. Ficamos felizes em poder ver o quanto eles se divertiram e aprenderam com a vista e o quanto gostaram de experimentar as carambolas que colhemos com muito carinho.” conta ela. “Eu acredito que este tipo de experiência pode despertar o interesse das crianças pela terra e mostrar para elas que ao cuidar das árvores somos presenteados com as suas frutas deliciosas.”


Para muitas crianças no CEI Girassol, e também na comunidade, esse tipo de contato direto com plantas e árvores frutíferas ainda é um tipo de experiência que abrange pouco o cotidiano de quem vive em um território com pouquíssimas áreas verdes. “Muitas crianças tiveram o seu primeiro contato com um árvore frutífera, tem as crianças que já tiveram essa vivência, mas outras nunca tiveram isso.” conta Valéria.



Essa integração pedagógica e socioambiental entre as crianças e o território não se trata de uma atividade isolada no projeto, uma vez que o CEI Girassol tem planejado outras visitas a árvores frutíferas por todo o território de Heliópolis, permitindo às crianças ampliar essas experiências ambientais e esse contato próximo com o território, promovendo encontros geracionais, a valorização e a troca de saberes locais.


“A gente está catalogando todas as árvores frutíferas do território em um trabalho voltado para a educação ambiental e também para ter a noção do quão pouco a gente tem um espaço arborizado e que fornece esse tipo de vivência para as crianças.” explica Valéria. “É fundamental compreender que a investigação, a ciência e a curiosidade precisam ser cultivadas desde a primeira infância, como sementes que, quando bem cuidadas, se transformam em pensamento crítico, autonomia e desejo de conhecer. Ao proporcionar situações como essa, o CEI Girassol não apenas amplia repertórios, mas legitima a curiosidade como motor da aprendizagem.”


Mais do que responder à pergunta provida de inocência, a atividade do CEI Girassol une o projeto, a família e os moradores na contribuição e no fortalecimento do Bairro Educador, estendendo a educação para além dos muros institucionalizados e desenvolvendo com um território um trabalho cerceado por vivências do cotidiano e as relações com quem vive, existe e resiste nestes espaços. Há muito desenvolvido e apoiado pela UNAS, estas iniciativas reafirmam este importante papel pedagógico no processo de aprendizagem que é tão significativo e igualmente transformadora para as crianças e também da comunidade.


“A imersão no território desloca o aprender para além dos espaços institucionalizados para além dos muros do CEI, e reconhece que a vida acontece também fora dos muros da escola. O território passa a ser compreendido como extensão do currículo, um espaço vivo e repleto de possibilidades educativas.” explica Valéria. “Para as crianças, essa experiência amplia o olhar, fortalece o sentimento de pertencimento e constrói uma relação mais sensível com o lugar onde vivem. Ao encontrar pessoas, histórias, árvores e saberes, elas percebem que fazem parte de uma rede maior, onde tudo se conecta. Aprendem, assim, não apenas conteúdos, mas formas de estar e perceber o mundo.”


 
 
 

1 comentário


Luciane Oliveira Alves
Luciane Oliveira Alves
há 8 minutos

Parabéns pelo trabalho .

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