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Projeto produzirá curtas-metragens sobre as memórias de Heliópolis, Boqueirão e Jardim São Savério

  • Escrito por Douglas Cavalcante
  • há 26 minutos
  • 3 min de leitura

Kombi é utilizada como cenário itinerante para registrar entrevistas com moradores e valorizar a memória coletiva dos territórios.


Territórios de favela e periferias têm suas histórias contadas, muitas vezes, a partir de narrativas e estereótipos construídos ao longo do tempo, que, em sua maioria, marginalizam essas comunidades como espaços marcados pela violência. Essas narrativas acabam invisibilizando as histórias de vida de seus moradores, assim como os processos de organização e mobilização comunitária na luta por melhores condições de vida. É olhando para essa realidade que a UNAS tem atuado, nos últimos anos, com projetos que buscam contribuir para a valorização e preservação da memória local. A mais nova iniciativa é o Projeto Kombi da Memória: Histórias que Circulam, desenvolvido pela organização em parceria com o Ministério da Cultura e o Governo Federal.

 

A valorização das histórias de vida das pessoas, contadas por elas mesmas, resume os princípios do fazer histórico defendidos pela UNAS, como destaca Cleide Alves, presidenta da organização: “A memória é fundamental para um povo. Ela preserva a história, fortalece a identidade coletiva e é uma maneira de registrar nossas conquistas, desafios, formas de organização comunitária e resistência. A memória também é importante para nos manter mobilizados na luta por direitos, dignidade e justiça social”.



O Projeto Kombi da Memória é uma iniciativa itinerante dedicada a registrar, preservar e difundir as memórias de três territórios do Fundão do Ipiranga: a Favela de Heliópolis, o Jardim São Savério e a Favela do Boqueirão. Ao todo, serão entrevistados 60 moradores dessas comunidades, com o objetivo de produzir três curtas-metragens documentais, que serão exibidos publicamente nesses territórios ao final de 2026.

 

A iniciativa propõe uma ação cinematográfica coletiva, tendo a Kombi como cenário e elemento de conexão entre os depoimentos e as entrevistas dos moradores. Ao circular pelos territórios, o veículo democratiza o fazer memória a partir das pessoas, valorizando suas histórias, vivências e experiências comunitárias.


 

Kanya Zanatta, diretora dos curtas-metragens comenta sobre a importância do projeto e o cuidado de ter o morador como peça central na narração de suas histórias. “É necessário ter registros produzidos de dentro desses territórios para se contrapor às descrições e narrativas produzidas de fora - por estudos acadêmicos, relatórios policiais, reportagens da mídia etc. Ao mesmo tempo, numa época em que tanto conteúdo é produzido para ser consumida e esquecido rapidamente, sem preocupações com a credibilidade, é importante fazer registros baseados em pesquisa e contextualização, que ainda façam sentido para quem for assistir daqui a algumas gerações. Afinal, registrar a memória não é só olhar para trás, mas também para a frente. E, na minha experiência com documentários, é no momento de contar em voz alta suas histórias de vida, sobretudo para alguém que não as acompanhou de perto, que muitas pessoas se dão conta do valor e da importância da trajetória que percorreram. Então, o próprio ato de deixar sua memória registrada reforça os laços com a construção de uma história coletiva.”

 

A câmera opera sempre a partir de uma relação horizontal com os personagens, posicionando-se ao nível do olhar. Esse cuidado com cada história de vida reforça a potência da produção audiovisual como ferramenta de registro.


 

“O audiovisual permite comunicar as emoções que acompanha cada relato e registrar de maneira dinâmica detalhes que passariam despercebidos em memórias escritas: sotaques, ritmos da fala, expressões faciais, o gestual, a maneira de se vestir - tudo isso que é muitas vezes padronizado e apagado em outras formas de registro. Além disso, o audiovisual também permite registrar uma paisagem urbana que está mudando rapidamente, graças a lutas coletivas mas também por pressões econômicas e sociais. Fazer um filme documental é uma maneira de colocar as histórias individuais dentro de um contexto mais amplo, mostrando que nenhuma trajetória existe isoladamente, algo que se perde facilmente de vista com o tipo de narrativa que circula cada vez mais nas redes sociais.” Diz Zanatta.

 

As gravações iniciaram pela Favela do Boqueirão, onde quinze moradores participam das entrevistas e pelos próximos meses a Kombi percorrerá também as ruas de Heliópolis e do Jd. São Saverio.


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 O Projeto Kombi da Memória é idealizado e executado pela UNAS Heliópolis e Região com realização do Ministério da Cultura e Governo Federal, viabilizada por meio de emenda parlamentar da Deputada Federal Luiza Erundina.

 
 
 

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