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Festa da Cultura Popular amplia oportunidades para artistas e empreendedores em Heliópolis e Região

  • Escrito por Marcela Muniz | Editor Douglas Cavalcante
  • há 1 hora
  • 4 min de leitura

Evento reuniu moradores em uma programação gratuita e se consolidou como espaço de valorização da produção cultural e do empreendedorismo local



Nos dias 24 e 25 de julho e 1º de agosto, Heliópolis e as comunidades do entorno puderam celebrar a cultura nordestina através de mais uma edição da Festa da Cultura Popular. A Festa ofereceu uma programação gratuita para famílias e moradores com comidas típicas, brincadeiras e shows ao vivo, promovendo o acesso à lazer e à cultura no território. O evento também transformou a celebração em um espaço de oportunidades para artistas e empreendedores locais, evidenciando a importância e a necessidade da valorização dos trabalhos e talentos gerados no território.


Em Heliópolis, as duas noites de julho em que a Festa aconteceu foram animadas por shows dos artistas locais convidados para se apresentarem. Um dos artistas foi Danilo Borges, de 21 anos, que esteve presente na noite de sábado (25) na Rua da Mina. Danilo veio de Jequié, na Bahia, com apenas 15 dias de vida, e vive em Heliópolis desde então. Desde muito cedo, ainda aos 3 anos de idade, o talento de Danilo já chamava a atenção, principalmente de seu pai, que buscou e conquistou oportunidades para que o pequeno artista se apresentasse na televisão aberta. A partir daí, a sua carreira foi ganhando cada vez mais potência. Sua trajetória mostra como iniciativas que ampliam o acesso e criam oportunidades podem transformar a carreira de artistas, assim como acontece na Festa da Cultura Popular.



Mesmo com uma carreira consolidada ao longo dos anos, Danilo encontrou na Festa uma oportunidade de apresentar seu trabalho e sua arte aos moradores de Heliópolis. O artista destaca a importância de espaços como o evento, que valorizam a cultura e abrem caminhos para que diferentes talentos alcancem novos públicos. “São oportunidades que fazem muita diferença na comunidade, porque fortalecem a cena cultural e mostram que a arte produzida em Heliópolis merece mais reconhecimento e mais espaço”. Para além de sua própria experiência, com uma trajetória de anos, Danilo também ressalta a necessidade de incentivar ‘novos talentos’. “Em Heliópolis há muitos talentos escondidos, que só precisam de uma oportunidade para mostrarem o seu trabalho”.


Para Danilo, o evento tem potencial para desempenhar um papel fundamental na carreira de artistas locais. “A Festa da Cultura Popular abre portas para o reconhecimento, pois quando um artista pode mostrar seu trabalho em um evento dessa proporção, ele ganha mais visibilidade. Um novo público vai passar a conhecer ele, fortalecendo a sua trajetória artística”. Danilo destaca que a relevância cultural do espaço proporcionado pela Festa vai além da história pessoal e individual de cada artista que se apresenta. “Quando participamos de um evento como esse, também passamos a fazer parte da história cultural da própria comunidade”.



Além dos artistas, a Festa da Cultura Popular também representou uma oportunidade para empreendedores locais. Esse foi o caso de Cíntia Silva, de 35 anos, moradora do Parque Bristol e dona de um negócio de pastéis artesanais, que teve a oportunidade de vender em uma barraca no Jardim São Savério, na noite do dia 1º de agosto.


Cíntia reflete sobre o desafio de empreender em um território periférico, principalmente pela grande concorrência. “Sabemos que morar na comunidade não é fácil, assim como empreender na comunidade também não é fácil. Todos os dias abrem-se lojas, abrem-se lanchonetes, abrem-se salões”. Para ela, o esforço para que o seu negócio seja conhecido é ainda maior pela circunstância, e a Festa da Cultura Popular no Jardim São Savério proporcionou a ela um espaço para que conhecessem seu empreendimento. “Impacta no sentido de trazer mais pessoas, mais públicos, mais clientes, mais reconhecimento. Nós conseguimos atingir outras pessoas que a gente não conhece na nossa região”


Participando da Festa da Cultura Popular pelo terceiro ano consecutivo, Cíntia destaca que iniciativas como essa cumprem um papel importante ao fortalecer a economia local e ampliar a visibilidade de pequenos negócios que surgem nas periferias. Para ela, criar espaços destinados aos empreendedores do território é também uma forma de reconhecer a capacidade produtiva existente nas comunidades. “É importante valorizar empreendedores da comunidade em eventos como esse, para mostrar que nós [da favela] temos mão de obra, temos matéria-prima, temos conhecimento e pessoas com grandes qualidades que prestam serviços de boa qualidade também”, afirma.


Além de movimentar a economia local, a empreendedora ressalta a importância do apoio institucional para que pequenos negócios consigam se consolidar. O negócio de pastéis artesanais surgiu em um momento em que estava desempregada, então precisou buscar alternativas para garantir a sua renda. Desde então, oportunidades como a Festa da Cultura Popular têm contribuído para ampliar o alcance do empreendimento e fortalecer a relação com a comunidade. “A Festa representa a empatia de entidades, como a UNAS, e de todos aqueles que estão envolvidos em nos apoiar, em trazer os empreendimentos para a comunidade como um todo”, destaca.


Segundo Cíntia, a estrutura oferecida pelo evento é um fator decisivo para garantir que empreendedores locais possam participar e apresentar seus produtos sem enfrentar custos adicionais, uma barreira comum para pequenos negócios. “Não há cobrança, não há taxas [para os empreendedores], tudo é disponibilizado pela UNAS. Nós só temos que levar o nosso sorriso, mão de obra, nosso carisma e nossa vontade de fazer dar certo”, explica.



Assim como acontece com os artistas que encontram na Festa uma oportunidade para mostrar seu trabalho e alcançar novos públicos, os empreendedores também enxergam no evento um espaço de reconhecimento e pertencimento. Para Cíntia, a valorização dos pequenos negócios locais passa pelo entendimento de que eles fazem parte da construção cotidiana da comunidade e de sua identidade cultural. “Participar da Festa da Cultura Popular para nós, enquanto empreendimento, é gratificante. É uma forma de reconhecer o nosso trabalho e de entender a nossa parceria no dia a dia com a comunidade”, conclui.


 
 
 

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