Inscrições abertas para o 13º Seminário Heliópolis Bairro Educador

13º SEMINÁRIO HELIÓPOLIS BAIRRO EDUCADOR

O POVO NA CONSTRUÇÃO DA DEMOCRACIA, DA JUSTIÇA SOCIAL E DA LIBERDADE.


“Eu sou negra, a fome é amarela e dói muito”

Carolina Maria de Jesus

A nossa comunidade tem se dedicado, há bastante tempo, a refletir sobre a educação que pratica em seu território, a partir de um sonho: transformar Heliópolis em um Bairro Educador. Esse sonho é alcançado na medida em que conhecemos melhor a nossa realidade e construímos, coletivamente, uma consciência crítica capaz de analisar o nosso presente para projetar um futuro possível para todas as pessoas.


Historicamente, as classes populares têm pouca voz no nosso país. Para a construção de uma democracia real, se faz necessário qualificar a educação pública, a partir da organização do povo, que se constitui como tal quando se reconhece na luta por seus direitos. Para tanto, é preciso articularmos professores, educadores sociais, estudantes e famílias em torno de um debate sobre o nosso território, suas carências e suas potências. A ideia do Seminário Heliópolis Bairro Educador é realizar essa articulação para que, a partir das reflexões sobre as nossas ações enquanto educadores e educandos, avancemos na denúncia daquilo que nos impede de sermos mais, e também no anúncio daquilo que desejamos para nós.


A programação deste Seminário foi concebida a partir de um processo de escuta amplo e horizontal, com a participação de educadores e de lideranças comunitárias de Heliópolis. Uniram-se à UNAS a EMEF Presidente Campos Salles, a EMEF Abraão Huck e a EMEF Gonzaguinha, que juntas buscaram parcerias com a Academia, com os Movimentos Sociais e com Organizações da Sociedade Civil, com a intenção de que os debates nos tragam várias vozes, diversas perspectivas e inovadoras proposições.


Em tempos tão difíceis, em que vemos a nossa frágil democracia ameaçada e muitos dos nossos educandos em completa situação de miséria e abandono, é urgente que nos mobilizemos em torno de assuntos como insegurança alimentar, saúde mental, rede de proteção social, racismo, violência de gênero. É importante também entendermos como podemos avançar na defesa da Educação de Jovens e Adultos e nas políticas públicas para a primeira infância. Precisamos também ouvir as juventudes, saber de suas lutas e nos colocarmos à disposição delas.


Entendemos que produzimos conhecimentos ao longo da construção de Heliópolis enquanto Bairro Educador. Trabalhamos para a ampliação da nossa consciência comunitária para podermos lutar melhor por políticas públicas. Que o 13º Seminário Heliópolis Bairro Educador possa ser o momento de partilha daquilo que temos aprendido, e que nos fortaleça na nossa jornada em busca de democracia, justiça social e liberdade.


Programação

26/08/2022 (sexta-feira) – 19h

Local: Rua Da Mina Central, 38B - Heliópolis (Quadra da UNAS)

ATO DE ABERTURA DO 13º SEMINÁRIO HELIÓPOLIS BAIRRO EDUCADOR

OBS: Não é necessário realizar inscrição para o ato de abertura

 

Mesa 1 – A alimentação do brasileiro e a luta contra a fome

Nessa mesa traremos alguns dados e olhares sobre as pessoas em situação de vulnerabilidade e insegurança alimentar, com vistas aos estudos sobre o que caracteriza a fome no país. Apresentaremos quais tipos de alimentos fazem parte do cotidiano brasileiro, considerando sua qualidade e disponibilidade por meio do Guia Alimentar para a População Brasileira, e refletiremos sobre a questão dos diferentes “níveis” de processamento dos alimentos.

27/08/2022 (sábado) – 8h às 12h

Local: Estrada das Lágrimas, nº 2385 (EMEF Presidente Campos Salles)


Debatedores convidados:

José Raimundo Souza Ribeiro Jr. – Doutor em Geografia Humana pela USP. Foi professor visitante do Instituto de Saúde e Sociedade da UNIFESP. É representante da seção São Paulo da Associação dos Geógrafos Brasileiros no Conselho Municipal de Segurança Alimentar (COMUSAN) e professor adjunto da Universidade Federal do ABC. Desde o início dos anos 2000 desenvolve pesquisas acerca da fome na cidade de São Paulo, e tem como referências o trabalho de Josué de Castro. È um dos autores do “Atlas das situações alimentares no Brasil: a disponibilidade domiciliar de alimentos e a fome no Brasil contemporâneo”, lançado em novembro de 2021 e que traz um panorama da fome e da alimentação no Brasil de 2002 a 2018, mostrando os efeitos provocados pelas diversas desigualdades que marcam o país.

Ariela Doctors – Comunicadora, pesquisadora, chef de cozinha e gestora. Sua experiência profissional inclui produção de TV nas emissoras Globo e Cultura, em projetos educativos e desenvolvimento de produções cinematográficas. Idealizou, fundou e administrou o restaurante Tanger, na cidade de São Paulo. Atua na concepção e execução de projetos, gestão de equipes. educação e alfabetização culinária, desenvolvimento de material didático e metodologias inovadoras de ensino. Fundou, com mais quatro mulheres, o Instituto Comida e Cultura, do qual é coordenadora geral.

Bela Gil – Mestre em Ciências Gastronômicas pela Universidade do Slowfood/ Itália, bacharel em Nutrição pela Hunter College de Nova Iorque. Chef de cozinha natural, Vice-presidente do Instituto Brasil Orgânico, apresentadora de televisão e escritora. É ativista da consciência alimentar pelo consumo do alimento saudável, saboroso e acessível, defendendo temas ligados à vida saudável, consumo consciente e comida de variedade.

André Luzzi – Ativista alimentar, formado em relações internacionais pela Pontifícia Universidade Católica (PUC), é mestre em História Social pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP) e doutor em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública da USP. Integra o Instituto Alimentação e poder, e é membro do Mecanismo da Sociedade civil e povos indígenas para as relações com o Comitê de Segurança Alimentar da FAO.

Mediação – Observatório De Olho na Quebrada

Capacidade 100 pessoas

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Mesa 2 – Parem de nos matar!

Preconceito e descriminação racial são os principais problemas sociais enfrentados nos Sec. XX e XXI, causando diretamente exclusão, desigualdade social e violência. O preconceito pode advir de várias outras diferenças, como as de gênero, local de origem e orientação sexual. O racismo é uma forma de preconceito e, como as outras formas, manifesta-se de diversas maneiras, fazendo vítimas todos os dias. Esse debate pretende abordar esses temas.

27/08/2022 (sábado) – 8h às 12h

Local: Estrada das Lágrimas, nº 2385 (EMEF Presidente Campos Salles)


Debatedores convidados:

Maria Agraciada – mãe, avó e costureira de mundos. Educadora, arquiteta e pesquisadora de arquitetura da terra e de educação inovadora e indígena. Mulher de linhagem Tupinambá e ativista das causas dos povos Pataxó Hã-hã-hãe e Tupinambá do Sul da Bahia. Idealizadora do Instituto Etno, gestora de projetos de empoderamento juvenil. Formada pelo Instituto Gaia Escola, pós-graduada em educação comunitária. Palestrante dos temas: Educação Democrática, Empoderamento Feminino, Ervas Medicinais, Arquitetura Viva e Geobiologia. Integrante da Rede Terra Brasil, UNIPROSA, REDHUMANI, Wayrakunas, MOANE, Aliança das Ecodiversidades, enquanto educadora e terráquea.

Lourdes Corrêa (Lu Ynaiah) - Coordenadora da Roda Cigana Rede Humanitária. Ativista de Direitos Humanos, e na defesa de direitos dos povos ciganos; formação acadêmica em psicologia, especialização em violência doméstica.

Julio Cesar Silva Santos – advogado, doutor e mestre em Direito Político e Econômico (Mackenzie), especialista em Gestão Pública e Direito Processual do Trabalho, Diretor do Instituto Luiz Gama, Diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Professor de Governança (Senac/SP).

Mediação – Claudio Bartolomeu Lopes

Capacidade 100 pessoas

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Mesa 3 – Educação Popular como princípio para EJA e MOVA: lutas e resistências de trabalhadores/as estudantes pelo direito à educação

Durante a pandemia os sujeitos da EJA foram vítimas da perda de pessoas amadas, de postos de trabalho e de vários direitos constitucionais. O processo de fechamento de turmas foi generalizado, desconsiderando as necessidades específicas dos diversos sujeitos da EJA: negros e negras periféricos, mulheres, LGBTQIA+, indígenas, quilombolas, populações ribeirinhas, pessoas com deficiências e pessoas privadas de liberdade. Apesar dos 11 milhões de brasileiros acima de 15 anos que não estão alfabetizados, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) tem sido enormemente ameaçada e desconsiderada. A educação é um caminho importantíssimo para o enfrentamento das desigualdades e para que pensemos políticas públicas para a EJA e MOVA, que concebam a educação como um processo humano e emancipatório. Por isso esse debate promoverá um círculo de cultura em que se discutirá:

- Como defender a EJA numa perspectiva emancipatória de educação pública, gratuita, laica e de qualidade social, contribuindo para a construção de uma sociedade democrática e livre de preconceitos?

- Como lutar por políticas públicas que contemplem a Educação Popular como princípio fundamental para EJA e MOVA, valorizando os saberes de seus sujeitos?

- Como garantir o acesso e a permanência dos sujeitos da EJA e MOVA reiterando a importância de sua ampla oferta, de forma presencial, nos diferentes territórios?

27/08/2022 (sábado) – 8h às 12h

Local: Estrada das Lágrimas, nº 2385 (EMEF Presidente Campos Salles)


Debatedores convidados:

Sonia Kruppa – Graduada em Ciências Sociais e em Pedagogia pela Universidade de São Paulo, Mestre e Doutora em Educação, pesquisadora na área de Educação e Trabalho, Educação de Jovens e Adultos e Economia Solidária. Trabalhou em administrações públicas municipais e federal nas áreas de educação e trabalho. Foi professora de educação básica em escolas públicas municipais e estaduais. Atualmente, é Professora Doutora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.

Êda Luíz - pedagoga, referência em EJA e grande responsável pelo projeto educacional do CIEJA Campo Limpo.

Mediação: Angélica Santigo e Meire Lima

Capacidade 100 pessoas

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Mesa 4 – As infâncias em territórios periféricos

Infância é um conceito produzido historicamente. Sabemos que há muitas formas de ser criança, a partir de condicionantes sociais e culturais. A proposta desse debate é pensarmos nas infâncias que se dão em territórios de grandes vulnerabilidades socioeconômicas, como é o caso de Heliópolis. Há uma ausência de debates interseccionais, que produzam conhecimentos sobre as infâncias nos territórios periféricos, em ajustes teóricos sobre as práticas de educadores populares. Assim, queremos saber:

- Que políticas existem para a garantia dos direitos dessas crianças?

- Qual o papel das instituições públicas na construção das políticas que as atendem?

- Como essas instituições se relacionam com o poder público?

- Qual o papel das famílias nesse debate?

27/08/2022 (sábado) – 8h às 12h

Local: Estrada das Lágrimas, nº 2385 (EMEF Presidente Campos Salles)


Debatedores convidados:

Ana Estela Haddad - Professora da USP, Gestora de Políticas Públicas

Suze Piza - Professora de Filosofia na UFABC

Cisele Ortiz - Psicóloga, especialista em educação infantil, coordenadora adjunta do Instituto Avisa Lá.

Clélia Cortez - Pedagoga, especialista em Pedagogia da Escuta Malaguzziana, formadora de professores e coordenadora da unidade de período integral da educação infantil da escola Vera Cruz.

Mediação: Ana Hélia da Silva Santos – gestora do CEI Girassol (UNAS)

Local: Refeitório da EMEF Presidente Campos Salles

Capacidade 200 pessoas

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Grupo 5 – A importância da Rede de Proteção Social em um Bairro Educador

Esse debate tem por objetivo refletirmos sobre as formas de enfrentamento às diversas violações de direitos a que estudantes e educadores estão submetidos, em tempos de profunda crise econômica, sanitária e política. Diante de um panorama tão dramático, pretendemos elucidar:

- Qual a real situação das escolas públicas no Brasil e em Heliópolis?

- Que políticas ou programas governamentais existem para o enfrentamento dessa crise?

- Quais as prioridades para a Educação no Brasil, hoje?

- Quais os impactos das ultimas reformas administrativas e do projeto de lei municipal que visa privatizar a gestão de escolas da educação básica?

- Como temos lidado com os processos de evasão escolar, trabalho infantil, violência doméstica, insegurança alimentar, entre tantos outros problemas que impactam diretamente as escolas?

- Quais as possibilidades de articulação da rede de proteção social no nosso território?

27/08/2022 (sábado) – 8h às 12h

Local: Rua Alencar de Araripe, 261 (EMEF Abrão Hulk)


Debatedores convidados:

Natacha Costa - diretora da Associação Cidade Escola Aprendiz

Roberta Peres – professora do bacharelado em políticas públicas da UFABC

Salomão Ximenes - professor de políticas educacionais da UFABC

Mariana Maria - Conselheira Tutelar Sacomã

Mediação: Marília De Santis (Diretora da EMEF Gonzaguinha)

Capacidade 100 pessoas

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Grupo 6 – Saúde mental e educação

Os impactos causados pela Pandemia da Covid-19 têm afetado a saúde mental de muitas pessoas que compõem as comunidades educativas. Processos de luto, empobrecimento e violências de diversas naturezas exigem que o papel da escola se ressignifique. A partir dessa perspectiva, pretendemos refletir sobre:

- Quais as reais possibilidades da educação nos cuidados relacionados à saúde mental

- A existência ou não de propostas de intervenção do poder público nos cuidados à saúde mental das populações dos territórios vulneráveis economicamente

- Como realizar a priorização curricular a partir de uma abordagem socioemocional vinculada à realidade vivida por educadores e educandos

- O que significa acolher, cuidar e desenvolver possibilidades de autocuidado e saúde no ambiente escolar

- Possibilidades de articulação uma rede de apoio socioemocional no território.

27/08/2022 (sábado) – 8h às 12h

Local: Rua Alencar de Araripe, 261 (EMEF Abrão Hulk)


Debatedores convidados:

Rosana Giannoni - Psicóloga Escolar do NAAPA IP; Mestre em Psicologia da Educação – PUC SP - Pós Graduação em Neuropsicopedagogia pela Universidade de Buenos Aires.

Fátima Bonifácio – Psicopedagoga Escolar do NAAPA IP; Especialista em Psicopedagogia e Educação Infantil; atuando na Rede Municipal de Ensino há 36 anos.

Rosi de Sá - Educadora da RMESP, Psicóloga, Coordenadora Pedagógica e hoje na SME/NAAPA

Vera Paiva - Professora de Psicologia Social do Instituto de Psicologia da USP

Mediação – Claziane Pereira de Lima (Diretora da EMEF Abraão Huck)

Capacidade 150 pessoas

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Grupo 7 – A Presença do Estado no processo de resistência da juventude periférica

A proposta desse debate é problematizarmos a omissão do Estado quando se trata das demandas voltadas à juventude. Pretendemos também iluminar a importância da organização das juventudes nas lutas pelo acesso aos nossos direitos.

27/08/2022 (sábado) – 8h às 12h

Local: Rua Estrada das Lágrimas, 1029 (EMEF Gonzaguinha)


Debatedores convidados:

Madu Fernandes - Secretária-geral da União Estadual de Estudantes (UEE/SP), Militante da Consulta Popular e do Levante Popular da Juventude

Helena Singer – Socióloga, atua com educação, inovação social e juventudes. Idealizadora do Movimento Inovação na Educação

Artur Paulo Moraes de Lucca - Médico Ginecologista, atua desde 2018 no Programa de Saude do Adolescente e Coordenadoria de Políticas para as Mulheres, pela Sec. Saúde do Estado de SP.

Sabrina Santos - Bacharela em Ciências e Humanidades pela UFABC e, pela mesma instituição, ela continua trilhando os seus estudos tanto no Bacharelado em Políticas Públicas quanto no Bacharelo em Ciências Econômicas. Pesquisadora do Observatório De Olho Na Quebrada

Mediação: Fernanda Macedo

Capacidade 150 pessoas

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