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Inscrições abertas para o 17º Seminário Heliópolis Bairro Educador

Foto do escritor: UNAS Heliópolis
UNAS Heliópolis
há 3 horas
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17ª edição do encontro promovido pela UNAS acontecerá  nos dias 24 e 25 de setembro



O Seminário Heliópolis e Região Bairro Educador é, para além de um evento, um espaço de encontro, reflexão e posicionamento ético-político, que busca fortalecer a incidência nas políticas públicas a partir das demandas de Heliópolis e das favelas do entorno. É também um espaço de articulação entre o legado de Paulo Freire e as experiências concretas e realidades das favelas.


É com esse compromisso que a UNAS convida para a 17ª edição do Seminário Heliópolis e Região Bairro Educador, que acontece nos dias 24 e 25 de setembro, reunindo moradores, educadores, estudantes, escolas, organizações sociais, universidades, movimentos sociais e representantes do poder público para refletir sobre os desafios do nosso tempo e sobre as experiências e resistências que nascem nos territórios.


O Seminário Heliópolis e Região Bairro Educador parte da compreensão de que a educação não acontece apenas dentro das escolas. O território, as comunidades e suas experiências também são espaços de aprendizagem e produção de conhecimento. É um encontro para refletirmos sobre os desafios do nosso tempo e, sobretudo, sobre as experiências, saberes e resistências que nascem nos territórios.


Essa construção dialoga diretamente com o legado de Paulo Freire e com sua compreensão da educação como prática de liberdade, baseada no diálogo e na participação para a transformação das realidades. Em tempos de democracia permanentemente em disputa, cuidar é também um ato político. É reconhecer que nenhuma transformação acontece de forma isolada e que educar, participar, ocupar o território e construir políticas públicas são práticas que fortalecem a vida coletiva.


A programação do 17º Seminário do Bairro Educador começa no dia 24 de setembro, às 19h, com a mesa de abertura, na Quadra da UNAS (Rua da Mina Central, 37B). No dia 25 de setembro, a partir das 8h, serão realizadas sete mesas temáticas, em diferentes espaços de Heliópolis e região, levando os debates para os territórios.


Mesa 1 - Democracia, participação  e políticas públicas - Disputas e resistências 


Debate sobre os riscos contemporâneos à democracia e sobre como o Bairro Educador pode articular educação, assistência social e os processos de desmonte das políticas de proteção social, saúde pública, cultura e demais políticas públicas e seus processos de conveniamento. A mesa abordará as políticas públicas como práticas de efetivação dos direitos garantidos pela Constituição, relacionando cuidado, justiça social, participação popular e planejamento estratégico.


Serão discutidos os modelos de gestão público-privada, seus impactos nos processos de privatização e terceirização das políticas públicas, bem como a influência dos interesses econômicos no mundo e suas relações com a geopolítica. A discussão também contemplará os desafios decorrentes da “plataformização” e da expansão das plataformas digitais educacionais na educação, além dos impactos das bets e de sua presença na sociedade.


A mesa destacará experiências concretas dos territórios e caminhos para fortalecer a democracia, a participação social, a garantia de direitos e a construção de políticas públicas comprometidas com a justiça social.



25 de setembro às 08h

Local: Estr. das Lágrimas, 2385 - Heliópolis  (EMEF Pres. Campos Salles)

Mesa 2 - Participação social, juventudes e comunicação


A Mesa 2 será um espaço de encontro, troca e exposição dos conhecimentos produzidos pelos coletivos de jovens do território. Mais do que realizar um debate sobre as juventudes, a proposta é reconhecer os jovens como pesquisadores, produtores de conhecimento, articuladores políticos e sujeitos capazes de interpretar a realidade e construir respostas para os desafios vividos em suas comunidades.


A atividade  discutirá como pesquisas, dados e experiências produzidos pelos jovens podem se transformar em propostas, reivindicações e instrumentos de diálogo com escolas, universidades, movimentos sociais, organizações e gestores públicos. O objetivo é refletir sobre os caminhos necessários para que o conhecimento produzido no território não permaneça restrito aos próprios projetos, mas possa influenciar currículos, políticas públicas e decisões relacionadas à vida da comunidade.


A programação será organizada por meio de uma feira de projetos, apresentações artísticas, live painting e uma conversa final. A feira será o centro da atividade, permitindo que os coletivos apresentem o que estão pesquisando, produzindo, registrando e propondo para o território. A conversa final partirá das experiências apresentadas para discutir os desafios de acesso, divulgação, articulação e incidência política desses conhecimentos.



25 de setembro às 08h

Local: Estr. das Lágrimas, 1029 - Heliópolis  (EMEF Luiz Gonzaga do Nascimento Jr.)

Mesa 3 - Políticas intersetoriais de educação integral e Assistências (SUAS)


A construção do Bairro Educador em Heliópolis exige compreender a educação integral para além da ampliação do tempo escolar. Na perspectiva da Assistência Social e do SUAS, garantir os direitos de crianças e adolescentes depende de uma rede de proteção articulada, territorializada e preparada para enfrentar vulnerabilidades e riscos sociais.


Escolas, serviços socioassistenciais, saúde, cultura, esporte, organizações sociais, famílias e comunidade devem atuar de forma complementar, com responsabilidades definidas. Os Centros para Crianças e Adolescentes (CCAs) têm papel essencial nesse processo: não são apenas espaços de permanência, mas serviços de convivência, participação, desenvolvimento de potencialidades e fortalecimento de vínculos familiares e comunitários.


A ampliação do período integral deve considerar seus impactos sobre a rede socioassistencial, as diferenças entre CEIs, EMEIs e EMEFs e as novas demandas das famílias. Ela não pode enfraquecer os CCAs nem transferir para a escola responsabilidades de outras políticas públicas.


O planejamento deve partir de um diagnóstico socioterritorial, apoiado pelo Censo Territorial de Heliópolis e pela colaboração com universidades, identificando condições de vida, demandas, riscos, equipamentos e cobertura dos serviços.

Reafirmar o Bairro Educador significa reconhecer crianças e adolescentes como sujeitos de direitos, inseridos em famílias e comunidades que também necessitam de proteção. Mais do que ampliar o tempo na escola, é preciso ampliar a convivência, as oportunidades e os direitos, fortalecendo o SUAS, seus serviços e trabalhadores.




25 de setembro às 08h

Local: Estr. das Lágrimas, 2385 - Heliópolis (EMEF Pres. Campos Salles)

Mesa 4 - Territórios que cuidam: gênero, inclusão e cuidado como proteção social


A mesa propõe uma reflexão crítica sobre a organização social do cuidado e sua relação com as desigualdades de gênero, raça, classe, sexualidade e deficiência. Historicamente atribuído às mulheres e naturalizado como parte de suas responsabilidades familiares, o cuidado permanece muitas vezes invisibilizado e pouco reconhecido como trabalho e como dimensão fundamental da proteção social. Na ausência ou insuficiência de políticas públicas de inclusão, acessibilidade, saúde, educação, assistência social e apoio às famílias, são sobretudo as mulheres que assumem a sobrecarga do cuidado, muitas vezes em condições de precarização, renúncia profissional, perda de autonomia e adoecimento.


A partir das experiências e lutas de lideranças feministas, mães atípicas, movimentos de defesa da diversidade LGBTQIAP+, profissionais e sujeitos envolvidos nas políticas de saúde mental, gênero, sexualidade, inclusão e proteção social, a mesa buscará compreender os diferentes desafios vivenciados nos territórios e refletir sobre como construir redes de cuidado mais solidárias, inclusivas, acessíveis e corresponsáveis.


O debate parte da compreensão de que cuidar não pode ser uma responsabilidade individual das mulheres ou das famílias, mas uma questão de direitos e de responsabilidade coletiva. Nesse sentido, será discutida a importância de uma atuação intersetorial que articule educação, saúde, assistência social, cultura, trabalho e demais políticas públicas, fortalecendo redes públicas e comunitárias capazes de acolher, incluir e proteger diferentes sujeitos e famílias.


A proposta é pensar caminhos para a construção de territórios que cuidam sem discriminar, reconhecendo quem cuida, valorizando o trabalho do cuidado e garantindo condições para que ninguém precise escolher entre cuidar, trabalhar, estudar, exercer sua autonomia ou cuidar de sua própria saúde. Quando o Estado não garante condições para o cuidado, a conta recai sobre as mulheres; transformar essa realidade exige reconhecer o cuidado como direito, responsabilidade coletiva e compromisso público.



25 de setembro às 08h

Local: Rua Professor Artur Primavesi, s/n - Parque Bristol (CEU Pq. Bristol)

Mesa 5 - Natureza, clima e saúde nos territórios: A importância do Bairro Educador


A crise climática não se manifesta de forma igual nos diferentes territórios: seus impactos se articulam às desigualdades sociais, ambientais e econômicas, atingindo de maneira mais intensa populações historicamente expostas à precarização das condições de vida e ao racismo ambiental. Discutir natureza, clima e saúde em Heliópolis significa, portanto, compreender o território a partir da perspectiva da justiça ambiental, reconhecer a necessidade de produzir conhecimento e construir políticas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.


 A mesa apresenta experiências desenvolvidas pelo Observatório “De olho na Quebrada” da UNAS, voltadas à compreensão dos impactos do aquecimento global e do racismo ambiental, articulando essas iniciativas ao consórcio de pesquisa-ação “Cuidados para o Verde”, em desenvolvimento na EMEF Gonzaguinha/ CEI Margarida/ Insper, que busca investigar possibilidades concretas de cuidados em saúde e a ampliação das áreas verdes no território. Apresenta também as experiências de educação ambiental construídas junto aos CEIs Margarida Maria Alves, Patativa do Assaré e Girassol e ao CCA Plácido, que nos possibilitam pensar em novas formas de cultivar vínculos e afetos das crianças e dos educadores com os espaços que habitam.


A partir dessas experiências, a mesa propõe ampliar o debate sobre o papel da educação, da participação comunitária, da pesquisa e das políticas públicas na construção de territórios mais saudáveis, resilientes e ambientalmente justos. A proposta é estabelecer uma ponte entre as experiências produzidas no território e os desafios da formulação de políticas públicas, refletindo sobre como ações aparentemente pequenas podem transformar relações e ampliar as formas de perceber, habitar e cuidar dos espaços — do jardim ao pátio, do equipamento aos espaços públicos e destes ao território —, produzindo conhecimento, fortalecendo vínculos e construindo estratégias de adaptação diante da crise climática.



25 de setembro às 09h

Local: R. da Fantasia, 63 - Heliópolis (CEI Margarida Maria Alves)

Mesa 6 - Educação Antirracista, Ancestralidade e Território: compromisso coletivo com a equidade racial


Esta mesa reúne profissionais que atuam na construção de uma educação antirracista comprometida com a ancestralidade e a garantia de direitos, focando em currículos que enfrentem o racismo desde a primeira infância e valorizem identidades africanas e afro-brasileiras.


A mediação é de Jady Souza, educadora popular e militante do Movimento Negro de Heliópolis, e Penélope Souza, pedagoga no território, taróloga e dançarina de Afoxé. Ambas trazem a vivência comunitária para o debate sobre práticas pedagógicas.


O diálogo conta com Talita Kelly Prado, historiadora e formadora da DRE Ipiranga (políticas públicas e enfrentamento às violências) e Paula Sidéria, advogada na defesa de crianças e adolescentes na garantia de seus direitos.


O encontro dá visibilidade às lutas por justiça social, articulando vivências de CEIs, CCAs e escolas à trajetória do Movimento Negro de Heliópolis. Ao refletir sobre o racismo estrutural, a mesa reafirma a responsabilidade de educadores, famílias e poder público na construção de uma educação baseada na representatividade, pertencimento e equidade racial.



25 de setembro às 08h

Local: Estr. das Lágrimas, 2385 - Heliópolis (EMEF Pres. Campos Salles)

Mesa 7 - Primeira Infância: proteção, atitude adulta e enfrentamento às violências


A mesa propõe uma reflexão profunda sobre o papel dos Centros de Educação Infantil (CEIs) da UNAS na garantia da proteção integral, da educação inclusiva e dos direitos de bebês e crianças, reafirmando a educação como prática ética, política e de transformação social no território. A discussão parte da atitude adulta como princípio fundamental do cuidado e da convivência, pautada na escuta atenta, no acolhimento, na democratização do colo e no respeito rigoroso aos tempos, corpos, identidades e singularidades de cada criança.


Em consonância com a Política de Proteção Infantil da UNAS, serão abordadas a prevenção e o enfrentamento de todas as formas de violência, negligência, discriminação e violação de direitos. Proteger é uma responsabilidade coletiva que exige observar, identificar, registrar, agir e acionar a rede. A educação inclusiva será compreendida de forma sistêmica — envolvendo CEI, famílias, território e políticas públicas — com o firme compromisso de eliminar barreiras e assegurar acesso, participação, aprendizagem, pertencimento e equidade. O racismo será debatido como uma violência estrutural que atravessa a primeira infância, exigindo práticas antirracistas intencionais e a valorização das culturas afro-brasileiras, africanas e indígenas.


A mesa abordará ainda a natureza e o território como espaços essenciais de brincadeira, investigação e aprendizagem, articulando educação ambiental e justiça climática nas periferias. Nesse percurso, os educadores são sujeitos centrais na organização de tempos, espaços e materiais. Literatura, arte e diferentes linguagens fortalecem vínculos e autonomia, reafirmando os CEIs como espaços de cuidado, proteção e direitos.



25 de setembro às 08h

Local: Rua Alencar de Araripe, 261 (EMEF Abraão Huck)

Ao longo do encontro, as mesas colocarão em diálogo experiências do território, políticas públicas, pesquisas, movimentos sociais e diferentes sujeitos que constroem diariamente o Bairro Educador. O Seminário é um instrumento de fortalecimento das redes e troca de conhecimentos, porque esperançar não significa esperar: significa agir coletivamente para construir outros futuros possíveis.


Mais do que discutir temas, o Seminário pretende produzir encontros, escutas,  aprendizagens coletivas e incidir em políticas públicas. Cada mesa contará com mediação, convidadas e convidados apresentarão dados e experiências relacionadas ao território e as políticas vigentes. 


Haverá um grupo de relatoria e registro audiovisual, fortalecendo a sistematização do conhecimento produzido no território. A proposta é reafirmar que o Bairro Educador se constrói na participação: quando crianças, jovens, educadoras e educadores, famílias, movimentos sociais, escolas, serviços públicos, universidades e organizações comunitárias se reconhecem como sujeitos da transformação.


Como nos ensina Paulo Freire, a esperança precisa estar acompanhada da ação. Por isso, este Seminário é também um convite à responsabilidade coletiva: olhar para a realidade, problematizá-la, reconhecer as experiências que já produzem mudanças e construir caminhos para aquilo que ainda queremos transformar.


Venha fazer parte dessa história.


Venha dialogar, compartilhar saberes, fortalecer redes e esperançar conosco.


 
 
 

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