O compromisso da UNAS com a educação infantil
- Escrito por Cláudia Cruz Soares
- há 11 minutos
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Em convênio com a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, a organização impacta a vida de mais de 2500 crianças e bebes com 17 centros de educação infantil
Falar da primeira infância é falar do presente. É reconhecer que bebês e crianças são sujeitos de direitos, pessoas potentes, curiosas e capazes de produzir culturas, conhecimentos e maneiras próprias de compreender o mundo.
Nos Centros de Educação Infantil sob gestão da UNAS, educar e cuidar são ações inseparáveis. Nossos CEIs são espaços onde as crianças brincam, investigam, convivem, fazem escolhas, constroem vínculos e aprendem por meio das experiências cotidianas. A brincadeira não é apenas um intervalo da aprendizagem: ela é uma das principais formas pelas quais as crianças conhecem a si mesmas, relacionam-se com as outras pessoas e atribuem sentidos ao mundo.
Ao longo de mais de trinta anos de atuação na Educação Infantil, a UNAS consolidou uma trajetória que demonstra como o trabalho de base comunitária pode se transformar em uma prática educativa emancipadora e em referência pedagógica. Uma experiência construída a partir do território, do diálogo com as famílias e da valorização das infâncias, reafirmando a educação como instrumento de transformação social. Hoje em conjunto com a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, a organização faz a gestão de dezessete CEI's, impactando a vida de mais de 2.500 crianças e bebês.
Todo dia, são oferecidas cinco refeições, compreendidas também como momentos educativos e de cuidado. A alimentação envolve acolhimento, conversa, descoberta de sabores, respeito aos diferentes ritmos e construção progressiva da autonomia. E nesse momento estamos priorizando o trabalho em pequenos grupos porque compreendemos que essa organização favorece uma escuta mais atenta e sensível. Em grupos menores, os profissionais conseguem observar melhor cada bebê e cada criança, reconhecer seus interesses, acolher suas necessidades, apoiar suas descobertas e respeitar seus tempos. Os pequenos grupos também ampliam as possibilidades de participação, interação, investigação e escolha, contribuindo para práticas mais inclusivas e menos centradas no comando do adulto.
Alimentar não significa somente servir comida, mas criar condições para que cada criança participe desse momento com segurança, tranquilidade, prazer e dignidade.
O momento do sono também é parte essencial do cuidado e do desenvolvimento infantil. Dormir e descansar são necessidades individuais, e cada criança possui seu próprio ritmo. Por isso, o sono não é imposto de maneira rígida nem tratado como uma obrigação coletiva. Cabe aos profissionais preparar um ambiente tranquilo, seguro, acolhedor e com luminosidade adequada, respeitando os objetos de apego, os modos de adormecer e as necessidades de cada bebê e criança. A presença atenta do adulto transmite segurança e ajuda a criança a relaxar. Para aquelas que não desejam ou não conseguem dormir, são oferecidas possibilidades de repouso e experiências silenciosas como ver um livro, brincar sem impedir o descanso das demais.
Neste trabalho, a atitude adulta é fundamental. A maneira como o profissional olha, fala, toca, acolhe, alimenta, acompanha o sono, orienta e intervém produz marcas na vida das crianças. Por isso, defendemos uma presença adulta respeitosa, previsível, disponível e cuidadosa, que não apressa, não constrange e não utiliza a força ou o medo como formas de educar.
Emmi Pikler nos ensina a reconhecer a importância do vínculo, do cuidado respeitoso, da liberdade de movimento e da participação da criança nos momentos cotidianos. Loris Malaguzzi nos convida a valorizar as cem linguagens das crianças e a compreender os espaços, os materiais e as relações como parte do processo educativo. Paulo Freire nos lembra que a educação se constrói no diálogo, na escuta e no reconhecimento dos saberes produzidos pelas pessoas e pelas comunidades.
Essas referências aproximam-se da educação popular, que parte da vida concreta, da cultura e dos conhecimentos do território. Por isso, nossos educadores também realizam visitas domiciliares. Elas não têm a finalidade de fiscalizar as famílias, mas de aproximar, conhecer, escutar e fortalecer vínculos. A visita possibilita compreender melhor os contextos de vida das crianças e construir, junto às famílias, caminhos de cuidado, proteção e garantia de direitos.
Essa atuação está comprometida com a missão da UNAS de contribuir para transformar Heliópolis e região em um Bairro Educador, promovendo a cidadania e o desenvolvimento integral da comunidade. No Bairro Educador, a educação não acontece somente dentro dos muros dos CEIs. As crianças caminham pelas ruas, visitam feiras, praças e diferentes espaços comunitários. Conhecem comerciantes, trabalhadores, moradores, movimentos sociais e histórias do lugar onde vivem. Ao ocuparem o território, elas também aprendem que pertencem a ele e que têm direito à cidade.

Nosso compromisso também se expressa na educação para as relações étnico-raciais. Valorizamos as histórias, as culturas, as identidades, as ancestralidades e os conhecimentos dos povos africanos, afro-brasileiros, indígenas e de outras comunidades que constituem nossa sociedade. Trabalhar por uma educação antirracista desde a primeira infância significa enfrentar preconceitos, ampliar representações e garantir que todas as crianças se reconheçam com dignidade nos livros, nas brincadeiras, nos brinquedos, nas imagens e nas experiências propostas.
A educação ambiental também está presente no cotidiano. As crianças convivem com a natureza, observam plantas, animais, chuvas e transformações do ambiente. Participam de experiências com hortas, terra, água, sementes e outros elementos naturais. Aprendem que cuidar da natureza é cuidar da vida, da comunidade e do território.
Todo esse trabalho é orientado em conjunto com a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo com base no currículo da cidade e pelos Projetos Políticos Pedagógicos e pela Política de Proteção Infantil da UNAS. Isso significa que todas as pessoas que atuam nos CEIs compartilham a responsabilidade de prevenir violências, identificar situações de risco, realizar os encaminhamentos necessários e garantir ambientes seguros, acolhedores e respeitosos. Proteger uma criança é responsabilidade coletiva e deve orientar todas as decisões institucionais.
Assim, a Educação Infantil que defendemos é feita de brincadeiras, vínculos, cuidado, escuta, participação, descanso e proteção. É uma educação comprometida com a democracia, com a justiça social e com a transformação do território.
Quando uma criança brinca, pergunta, experimenta, descansa, caminha pelas ruas do bairro, participa de uma refeição, escuta uma história ou encontra um adulto verdadeiramente disponível, ela está aprendendo. E, ao mesmo tempo, está nos ensinando a construir um Bairro Educador mais humano, solidário, antirracista, ambientalmente responsável e comprometido com todas as infâncias.































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