A violência e a desigualdade de gênero no Brasil

“Toda e qualquer violência contra a mulher deve ser denunciada a fim de evitar uma morte. O combate ao feminicídio está diretamente ligado à estrutura machista e patriarcal enraizada em nossa sociedade e que reforça a ideia de que o homem tem poder sobre a mulher.”

 

O Dia Internacional das Mulheres, é uma data que destaca a luta e a importância do debate em relação as injustiças e violências contra as mulheres, que se agravaram ainda mais pelo atual estado pandêmico em que vivemos. Um vertiginoso aumento da violência doméstica, o acumulo de demandas dentro da rotina do lar, o gargalo do ensino a distância, a saúde mental em cheque e os abusos constantes, recaem sob os ombros das mulheres.

Esse debate foi pauta durante toda a semana do 8 de Março nos projetos sociais e nas mídias digitais da UNAS, onde alguns dados foram apresentados para elucidar ainda mais essa situação que precisa de destaque. Um dos pontos de atenção apresentados foi justamente a relação de cargos de gestão e liderança no Brasil que de acordo com a pesquisa do IBGE (2019), limita-se apenas a 37% dos cargos sob gestão feminina. Apesar de mais anos de estudo, maior frequência na escola, o número ainda está muito abaixo do esperado. Na UNAS temos orgulho em ter um quadro de trabalhadoras onde 91% são mulheres e em cargos de gestão e liderança essa porcentagem é de 73%.

Ângela São José, gestora de projetos na UNAS destaca. “Estar em uma posição de liderança é importante para que possamos pegar na mão de outras mulheres e em uma construção coletiva incentivá-las para que almejem também seu crescimento e percebam o quanto é necessário para o feminismo ocupar esses espaços e diminuir o abismo que a de mulheres em posição de liderança.”

A formação superior também foi fruto de reflexão em vista que os dados apontam um baixo crescimento em quase duas décadas em relação as mulheres formadas no Brasil. Em 2003 a porcentagem era de 43,2% e em 2019 esse índice foi para 46,8%. Para Rebecca Zerbinato, formada em Serviço Social desde 2019, foi uma verdadeira surpresa esse dado. “É chocante saber que a taxa de mulheres em universidades aumentou apenas 3%. Isso é um reflexo do modo como tratamos as nossas meninas e mulheres: são criadas para cuidar do outro, para cuidar da família, para ficar com os filhos, mas não são criadas para o ambiente acadêmico. Espero nos próximos anos poder falar sobre esses dados de outra forma.”

Além dos dados e das reflexões realizadas durante essa semana, o Movimento de Mulheres promoveu um Ato que mobilizou cerca de 50 mulheres em frente a 95º distrito policial, localizado em Heliópolis para dar voz ao alto índice de violência física e emocional vivenciada por uma grande parcela das mulheres. Uma em cada seis mulheres já foi vítima de tentativa de feminicídio no Brasil e 30% relatam ter recebido ameaça de morte por companheiros, chegando ao número aproximado de 25,7 milhões de mulheres, segundo dados do Institutos Locomotiva e Patrícia Galvão (2021).

“Toda e qualquer violência contra a mulher deve ser denunciada a fim de evitar uma morte. O combate ao feminicídio está diretamente ligado à estrutura machista e patriarcal enraizada em nossa sociedade e que reforça a ideia de que o homem tem poder sobre a mulher.” Mayara Nascimento, coordenadora do Movimento de Mulheres de Heliópolis e Região.

Além da violência e da morte das mulheres, o direito à liberdade é cerceado pela ameaça e pelo assédio sexual sofrido em locais públicos e transportes públicos sendo mais um espaço para o medo e para violência também psicológica. Segundo dados da última pesquisa realizada em 2022 pela Rede Nossa São Paulo, 52% das mulheres apontam o transporte público como o local onde sofrem maior risco de sofrerem um assédio e que 71% delas conhecem alguma mulher que já sofreu efetivamente um assédio sexual nesses locais.


Um alerta de Silvania Alves, assistente social do Centro de Defesa e Convivência da Mulher – Sônia Maria Batista. “A mobilidade da mulher brasileira é cercada pelo medo, principalmente das trabalhadoras e estudantes que dependem do transporte público. São variadas as formas de assédio, passando por olhares insistentes, cantadas indesejadas e perseguições, etc. Daí a importância de apoiarmos umas às outras contra a naturalização desse tipo de violência.”

Os dados são claros e deflagram uma sociedade machista e que por gerações permitem essa esfera de violência e abusos, aconteçam deliberadamente. Denúncia, debates e uma total postura de enfrentamento e combate é necessária.

A UNAS reitera seu compromisso com as mulheres, de maneira especial, para todas as lutadoras que além de executarem brilhantemente suas funções em todos os postos de trabalho da organização, também educam com afeto e vigor à todos com um grande diferencial como destaca Avelina, conhecida carinhosamente como Tia Diva: "As mulheres que trabalham na UNAS são empoderadas, sabem o que querem, e o que querem melhorar. lutam com garra e fé, Criam seus filhos e lutam com garra e fé. Aqui somos maioria feminina, fico muito feliz em fazer parte, sou uma delas, me sinto maravilhada e agradecida."

 

SAIBA ONDE BUSCAR APOIO


CDCM SONIA MARIA BATISTA

Rua Ribeiro do Amaral, 136 (Ipiranga) | Telefone: 3473-5569


CASA DA MULHER BRASILEIRA

Rua Vieira Ravasco, 26 (Cambuci) | Telefone: 3275-8000


2º DELEGACIA DA MULHER

Av. 11 de Junho, 289 (Vila Clementino) | Telefone: 5084-2579

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