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  • Escrito por Wallace França

Juventudes de Heliópolis e Região debatem mudanças climáticas nas periferias de São Paulo

Na última terça-feira (07) aconteceu no INSPER - Instituto de Ensino e Pesquisa, um evento muito importante que teve como objetivo central, debater a questão climática nas periferias da cidade com o tema “Esse clima está confortável para você? Justiça climática nas periferias de São Paulo”. A atividade contou com a participação dos jovens pesquisadores do Observatório De Olho na Quebrada na plenária e também na mesa debatedora com a participação de Sabrina Santos, representante do coletivo de pesquisa e memória da UNAS Heliópolis e Região.



O tema da discussão foi pautado por um grupo muito diverso que trouxeram importantes dados que refletem os impactos das desigualdades socioambientais sofridas pelas comunidades da maior cidade do país e também contou a apresentação de estudos e análises que buscam soluções para uma maior conscientização da população e do poder público, na aplicação de novos formatos e ações para tornar as cidades e consequentemente, as comunidades que sofrem diretamente com esse estresse climático, em locais mais sustentáveis.



Para João Victor da Cruz, um dos coordenadores do De Olho na Quebrada, levar os trabalhos realizados pelo coletivo enquanto mapeamento, pesquisas e propostas de solução, dentro da perspectiva dos próprios moradores, pautando as discussões voltadas ao clima com a participação ativa de quem vivência essa realidade, levando as juventudes para o centro do debate, é algo de grande relevância e impacto para a democratização desse debate climático.


“Uma coisa que eu destaco sempre quando me perguntam da importância do Observatório estar dentro dos espaços acadêmicos e de discussão é que as políticas públicas são construídas de maneira coletiva, elas nunca são criadas a partir do nada ou a partir de apenas um grupo ou pessoa. Ter acesso a esse local de discussão como o Insper é essencial pra gente trazer as nossas pesquisas e a nossa visão como moradores desses territórios, que lidam com tantos problemas que partem das questões climáticas e suas consequências como quando chove e deixamos de ir trabalhar, de ir para escola ou faculdade e nos preocupamos com as pessoas que são importantes para gente. Levar os nossos dados para pessoas que estão com a informação técnica e falar para elas que precisamos delas para somar nas tomadas de decisão e na criação de políticas públicas, estando de igual para igual, evidência que estamos na mesma luta, transformando a nossa sociedade de maneira geral e não apenas para um único grupo.”



A mesa contou com a mediação de Kamila Camilo, fundadora da Creators Academy, ativista, empreendedora social brasileira atuando com estratégias de responsabilidade social e com a participação de Cristiane Gomes Lima, Pedagoga e coordenadora MST Leste 1; Rian de Queiroz, morador do conjunto de favelas da Maré do Rio de Janeiro, Mestre em Geografia pela UFRJ e especialista em Análise Ambiental e Gestão do Território; Vitor Stalmann, Arquiteto e Urbanista, formado pela Universidade Anhembi Morumbi e atual liderança na luta pelos patrimônios culturais do Morro Grande; Gabriela Alves, formada em Ciências Sociais pela UNIFESP e pós-graduada em Urbanismo Social pelo Insper, co-fundadora do Perifa Sustentável; e da Sabrina Santos, pesquisadora do De Olho na Quebrada da UNAS Heliópolis e região, bacharel em Políticas Públicas e bacharelanda em Ciências Econômicas pela UFABC.



“Não tem como não trazer o Rio Grande do Sul, toda a questão da região Sul do país, onde eventos como esses serão cada vez mais frequentes porque a gente não pensou no início, como construir uma cidade, respeitando a própria diversidade e a questão verde, integrando o discurso de desenvolvimento a partir do concreto. Então já que a gente tem a possibilidade de debater desde o começo, dá entrega de equipamentos públicos, porque não debater a questão da adaptação climática e que venha trazer a crise para não reproduzir essa situação cada vez mais frequente. Só ano passado, foram mais de três enchentes no ano nessa proporção e tem sido cada vez maiores, o Sul tem passado por questões alarmantes. A gente precisa tentar estruturar e provocar no início. Temos o direito de habitação, cultura e mobilidade, mas não a qualquer custo, temos direito a energia renovável e limpa”, destaca Gabriela Alves durante a sua apresentação.


Samantha Yara do Carmo (15) uma das pesquisadoras mais novas do Observatório, destaca como está sendo rico a sua participação tanto no projeto, como também em oportunidades como essa de debate e de aprendizado, possibilitando multiplicar esse conhecimento adquirido para outras pessoas do seu convívio.



“Eu gosto muito de participar de momentos como esse aqui no Insper porque estou absorvendo novos conhecimentos mesmo sendo tão nova. Tenho a chance de estar envolvida em trabalhos bacanas para as nossas comunidades, debatendo e discutindo temas como o meio ambiente, a sustentabilidade, as ações que geram essa dificuldade do clima como no caso das fortes chuvas lá no Rio Grande do Sul. Sinto que muitas pessoas ainda não têm esse conhecimento e aqui no projeto temos esse acesso e buscamos também multiplicar esse conteúdo para outras pessoas, inclusive na escola, onde eu tenho esse entendimento e posso dar minha contribuição. A periferia precisa ocupar a universidade para que mais e mais pessoas tenham condições de falar sobre esse tema que tanto nos afeta.”


Sabrina Santos, em sua participação no debate, destacou a pesquisa “Do Muro Pra Lá” e o estudo do estresse térmico em Heliópolis realizado pelo De Olho na Quebrada a partir da sistematização de dados coletados a partir da importante participação ativa dos moradores.



“Trabalhamos com três vertentes, a primeira da geração cidadã de dados, que é essa forma de coleta de dados sempre aberta, ativista e em participação com os moradores, ouvindo essas pessoas e mostrando o que a gente está fazendo ali e o que eles podem fazer junto. O resgate das memórias locais, justamente para preservar tudo que ali foi feito e pensar em perspectivas futuras junto com as pessoas que construíram essas lutas coletivas e a incidência política de como que a gente pode congregar tudo o que estamos fazendo para conseguir pautar políticas públicas, ações e programas específicos de acordo com as necessidades desses territórios. Isso perpassa pela desconstrução de discursos, narrativas e questionamentos dos dados governamentais sobre esse território. A partir do momento que Heliópolis e o Fundão do Heliópolis não estão dentro das plataformas, das publicações e de tudo isso que acaba subsidiando as políticas do território, nós acabamos por não existir e por isso que é tão importante as juventudes tomar a frente disso para conseguir mostrar essa efervescência dentro dos territórios.”


Discutir a questão da justiça climática e seus impactos nas periferias de São Paulo é uma pauta urgente e necessária porque os territórios mais vulneráveis estão sofrendo as consequências dessas mudanças. A necessidade de adaptação das políticas públicas, o compartilhar de ideias e experiências e proposição de estratégias efetivas para garantir a justiça social e climática, tornou-se uma grande demanda coletiva onde a participação de toda sociedade é fundamental e necessária a partir da educação ambiental na construção de soluções sustentáveis.


 

“O meio ambiente foi sendo destruído num sentido de que a própria natureza foi considerada um problema, as árvores eram um problema, como os rios também eram parte do problema. E agora o que está acontecendo, como o Cacique Davi Kopenawa mesmo nos fala, ‘o céu está caindo sobre nossas cabeças’ e a natureza está pedindo o lugar dela de volta. Os rios estão reaprendendo a fluir de novo, a água sempre encontra um caminho e se a gente tentar barrar, ela vai encontrar o caminho para fluir outra vez. Se a natureza vai pedir o lugar dela de volta, cabe a cada um de nós, aprender a conviver em simbiose e reivindicar o nosso lugar também como natureza” nos provoca Kamila Camilo.


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