Jovens de Heliópolis realizam encontro com Lula

Iniciativa #BoraVotarQuebrada tem por objetivo estimular os jovens de periferia a participarem do processo eleitoral.

Na última quinta-feira (21), a convite da UNAS - União de Núcleos, Associações dos Moradores de Heliópolis e Região, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de um encontro com jovens da maior favela de São Paulo. O bate papo aconteceu em Heliópolis, na quadra da organização, ponto focal de diversas ações sociais e culturais. O encontro reuniu cerca de 200 jovens da comunidade, entre eles moradores, coletivos de cultura e participantes de projetos da UNAS no território.


O objetivo do encontro foi justamente promover o debate e a reflexão da importância da participação da juventude no exercício da democracia e da cidadania através do voto, principalmente os que terão a chance de participar das próximas eleições pela primeira vez. Motivados pelo movimento #BoraVotarQuebrada, os jovens de Heliópolis tiveram a oportunidade de ampliar a visão de como é a realidade da juventude periférica vivenciada na prática, como acontece de fato a luta pelos seus direitos e como é necessária a criação e a manutenção de políticas públicas que por muitas vezes não chegam até a base. A ideia foi realmente trazer esse resgate da importância para o público entre 16 e 18 anos tirarem o título de eleitor até o próximo dia 04 de maio, prazo final para que isso aconteça.


Além do ex-presidente Lula e dos 200 jovens, o encontro contou também com a participação da presidenta do PT e Deputada Federal Gleisi Hoffmann, do professor Fernando Haddad, do professor e economista Aloizio Mercadante, do Vereador Eduardo Suplicy e da Vereadora Professora Bebel, assim como demais lideranças da comunidade de Heliópolis e comunidades do entorno.

Antônia Cleide Alves, presidenta da UNAS realizou a acolhida de todos os presentes destacando que esse momento foi idealizado para juventude e que essa mesma juventude pudesse protagonizar esse importante momento através das suas necessidades, opiniões e olhares a partir da sua realidade, indo ao encontro do protagonismo, da autonomia e atuação da organização em prol da juventude na construção do Bairro Educador através da organização e luta coletiva.


“Lula você já faz parte da nossa história. Hoje sou pura emoção. Nossa organização tem 42 anos e começamos como uma comissão de moradores. Todos vocês aqui presentes conhecem a luta do povo de Heliópolis, do inconformismo que temos desde o inicio. É um prazer estar aqui com a juventude, vocês me representam. Lutamos todo dia para sobreviver. O vento vem e a gente dobra, mas a gente não se curva. Nossa essência são os movimentos de base e a diversidade para quebrar com o preconceito. Aqui a pauta é coletiva.”


O encontro foi mediado pela própria juventude. Karoline Aparecida (21) e Gabriel (20) conhecido com Simba, foram os mestres de cerimônia que contou com a fala de outros sete jovens que representaram a diversidade da comunidade. O Movimento Negro, LGBTQI+, Movimento das Mulheres, Fé e Política, Moradia, Juventude, representantes dos Coletivos Culturais e das escolas da comunidade, tiveram a oportunidade de expressar quais são os desafios da juventude periférica traduzindo um pouco dessa realidade.


As falas foram profundas e contagiaram a todos os presentes pela força e veracidade das perspectivas apresentadas e como essa oportunidade de falar foi importante para cada um dos representantes.


"Agora mais do que nunca, em tempos de eleições nós do De olho na Quebrada, nos vimos com a obrigação de agir junto com a juventude da nossa quebrada para que nessas eleições o máximo possível de jovens da comunidade tenham o título de eleito r e possam exercer seu direito ao voto. Através das nossas pesquisas constatamos que 55% dos entrevistados não tem o Título de Eleitor porém 94% destes pretende tirar o título.” João Victor, Pesquisador do Observatório da Quebrada

“Representar a juventude negra é uma honra e muito importante para falar um pouco mais sobre as mazelas do jovem preto. Queremos chegar a lugares muito grandes por que o mundo precisa ver a gente. As favelas são fruto da senzala, ajudamos a construir esse país. É por mim, pela minha comunidade e pela minha filha.” Jady de Souza, Coordenadora do Movimento Negro de Heliópolis e região.

“Enquanto mulher trans na comunidade é um desafio continuo. Desde o estudo, da educação, acesso à saúde. Cuidados necessários que todos conseguem acessar mas pra gente enquanto LGBT não. Só quem vive sabe. As pessoas trans são as que mais sentem o desemprego, a fome, a falta de acesso a educação e as oportunidades. Gostaria de agradecer ao seu governo, por que graças ao seu governo conseguimos ter um olhar para nós.” Lara Manuela do Movimento LGBTQIA+ O Grito da Diversidade.

“Queria dizer que o meu presidente ele vem na quebrada falar com a juventude, ele está aqui. A juventude da periferia ela resiste. Como é difícil conseguir emprego, não temos acesso a informação. Não conseguimos nos preparar, não temos acesso a um ensino bom por que as escolas estão sucateadas.” Fernanda Macedo do Movimento Fala Jovem

“Sou educadora social na Biblioteca Comunitária de Heliópolis. Sou uma pessoa nascida e criada aqui em Heliópolis e na minha adolescência eu encontrei a biblioteca e lá eu descobri um universo da leitura, do teatro e da dança. Eu tive contato com obras que são exigidas no vestibular para entrar nas grandes universidades públicas que temos nesse país. E através da biblioteca e sem cursinho pago eu entrei na Universidade de São Paulo. O Bairro Educador acontece de mãos dadas com a cultura. Eu sou fruto desse governo, eu entrei na universidade pelo ENEM, pelo SISU. Estamos fazendo história!” Karoline da Silva, educadora.

“Esse evento é muito importante para quem realmente acredita na transformação do país. É muito importante dizer que as mulheres aqui sempre estiveram à frente de todas as lutas por garantia de direito e que elas se mantém firmes apesar desse cenário caótico de retrocesso. Nos mulheres ainda temos que lidar diariamente com a insegurança de circular pela cidade, com o julgamento de uma sociedade machista que insiste em nos definir por conta da nossa roupa, da forma que falamos ou da forma que nos comportamos. Além de tudo, ainda temos que lidar com o aumento crescente da violência em suas diversas formas e com o feminicídio. Realmente não é fácil ser mulher. Apesar de tudo, a palavra que ecoa por aqui é resistência.” Mayara Nascimento coordenadora do Movimento de Mulheres de Heliópolis e região.

“A educação é um pilar de transformação e de reconstrução. Sou filha de nordestinos. Meus pais não foram alfabetizados. A Bolsa Família me ajudou muito a colocar comida no prato. Se hoje eu curso bacharelado em Políticas Públicas, na Universidade Federal do ABC, criada na gestão do governo Lula, foi justamente por políticas transversais que levaram a educação para todo o resto. Eu agradeço muito por isso. Não teve felicidade melhor na minha vida do que ter meu nome na lista de aprovação dos vestibulares do país.” Sabrina Santos, estudante.

“Eu tenho 14 anos e sou estudante da escola Campos Sales. A nossa escola tem um projeto diferenciado, a gente sempre visa escutar muito os estudantes, é uma verdadeira república. Mas a gente sempre sentiu falta de um profissional da saúde mental na nossa escola. A gente precisa estar bem mentalmente pra lutar pelo que é nosso, pelo que a gente merece. Precisamos de instituições mais fortes e preparadas para nos receber.” Danieça da Silva, estudante e representante da comissão mediadora da EMEF Campos Salles.

“Essa transformação de pessoa que eu sou hoje é graças ao trabalho da UNAS. Hoje eu venho falar de esperança e sonho. Por que a moradia é um sonho, Heliópolis veio do sonho da casa própria e essa luta continua até hoje. Eu ainda pago aluguel mas tenho esperança de conseguir minha casa assim como outras pessoas da quebrada.” Luciano Lima, coordenador do Movimento Sem Teto de Heliópolis


O encontro seguiu com as falas de muito impacto não apenas para a juventude, mas para as pessoas que acompanharam o evento pelo telão instalado em frente a quadra como pelas redes sociais. Fernando Haddad relatou como foi importante ter o contato com a realidade de base, como foi importante a construção do CEU Meninos e a instalação das luzes no bairro e como cada uma dessas ações foram importantes para a comunidade.


“Em Heliópolis, a democracia acontece. Aqui a gente aprende o significado concreto da organização, do trabalho de base. É a juventude de hoje que vai mudar o Brasil. Está acontecendo uma revolução silenciosa da educação no Brasil. São vários relatos de jovens impactados pelo SISU, PROUNI. Esses jovens estão na universidade e vinculados a comunidade.” Fernando Haddad


O momento que muitos aguardavam foi justamente ouvir o ex-presidente Lula, suas considerações em relação ao que ele ouviu da juventude, sua narrativa e provocações de como é necessário buscar a educação e exercer a cidadania através do voto. Lula trouxe um relato de como foi crescer próximo da comunidade de Heliópolis, sua infância e juventude de luta e como é importante estar alinhado com a realidade das comunidades.

“Temos que mudar o curso da história e essa eleição é uma oportunidade de definir o Brasil que a gente quer. Vamos dizer para quem a gente conhece que tenha mais de 16 anos e não tem o título: não entre na do Bolsonaro. Você não tem que comprar fuzil, não tem que comprar pistola, não tem que comprar bala, não tem que comprar arma. Tire o título do eleitor e dê um tiro nas coisas ruins para a gente mudar a história desse país. Se a juventude não participar da política, é muito difícil mudar o país. Quando você não acreditar em mais ninguém, acredite em você. Você vai ser o político que você quer. As pessoas não podem ser excluídas da educação pelo berço que nasceram. O filho do trabalhador de Heliópolis tem que sentar na mesma sala com o filho do morador da parte mais rica da cidade.” Lula.


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