'Ver a felicidade deles significava muito': histórias que mostram a importância da Sacolinha Solidária
Há oito anos, campanha da UNAS mobiliza rede de solidariedade para levar afeto e presentes para cinco mil crianças e adolescentes de Heliópolis e comunidades do entorno.

A chegada do fim de ano traz consigo as expectativas das festividades, seja pelos momentos de celebração, a reunião de familiares e de amigos em um momento de confraternização e, sobretudo na visão das crianças e dos adolescentes, pelos presentes. Um brinquedo novo pelo qual espera durante todo o ano ao ouvir muitos ‘na volta a gente compra’ ou uma roupa nova. A expectativa por este momento é comum entre muitas famílias, embora aconteça de maneiras muito diferentes conforme o contexto social e econômico em que estão inseridas. Em territórios periféricos, como em Heliópolis e bairros do fundão do Ipiranga, a realidade do fim de ano sempre é imposta à muitas famílias com as despesas da casa e as contas do dia a dia que muitas vezes frustram este momento de alegria e de celebração e, quando os recursos são limitados, a compra de um presente acaba ficando em segundo plano.
“Tem muitos pais que não tem essa condição de ir lá comprar uma roupa nova para o filho.” conta Alessandra Ferreira, 38, moradora de Heliópolis e mãe solo de cinco filhos. “Às vezes o filho pede uma roupa nova, um brinquedo, alguma coisa que ele quer, mas naquele momento não dá pra comprar e você sente muito por não poder dar o que ele pediu.”
Partindo do princípio de que toda criança tem o direito de viver momentos de afeto e das festividades, uma vez ter a oportunidade de esperar por um presente, ganhar uma roupa nova ou receber um brinquedo também faz parte dessas experiências e das memórias construídas durante a infância, a UNAS tem realizado desde 2018 a campanha Sacolinha Solidária, que surge como uma importante rede de apoio envolvendo crianças e adolescentes atendidas pelos seus projetos presentes em Heliópolis e nas regiões do entorno, como Boqueirão, e que são atravessadas pelo contexto de desigualdade social.
“Quando meus filhos começaram a receber a Sacolinha, a gente estava passando por um momento bem difícil em casa. Eu estava com algumas dificuldades e nem sempre conseguia dar para eles aquilo que eles queriam. Então, quando eles recebiam a Sacolinha, era uma alegria muito grande. Ver a felicidade deles com um presente que, naquele momento, eu não conseguia comprar, significava muito pra eles e pra mim.” conta Alessandra.
Em 2020, o avanço da pandemia da COVID-19 expôs em muitos territórios a crescente desigualdade social, sobretudo em territórios periféricos, ao mesmo tempo em que a ausência do estado se tornava cada vez mais visível ao agir tão pouco em promover políticas de assistência e de proteção social. Em Heliópolis, o retrato de muitas famílias era desesperador, desemprego, a alta no preço dos alimentos, o impacto na saúde mental e um cenário de insegurança alimentar atingindo 42% das famílias de Heliópolis. É neste período que Taise Conceição, 37, se vê como mãe de três filhas, desempregada e em um momento desesperador.
“Eu estava desempregada e sem saber de onde tirar um real do bolso.” conta ela. “Então veio a Sacolinha Solidária que presenteou minhas filhas com roupas, calçados e brinquedos. Ali eu vi a importância de cada um que, mesmo na pandemia, tirou um tempinho pra pensar no próximo, e ali o próximo era minha família.”
Anualmente, a Sacolinha Solidária tem mobilizado doadores e parceiros em uma grande rede de solidariedade que transformam um ato simples em um gesto de afeto durante um período desafiador para muitas famílias. Mais do que acompanhar as festividades de fim de ano, a campanha cria um momento de respiro em meio às dificuldades do cotidiano. A cada edição, cinco mil crianças e adolescentes são alcançados por uma rede que se mobiliza para que a expectativa pelo presente também possa fazer parte das celebrações.
“A Sacolinha Solidária faz toda a diferença para as mães e pais que não tem condições de estar ali presenteando seus filhos no final de ano e em muitos outros momentos da vida.” conta Taissa. “Eu só tenho a agradecer porque muitas das vezes eu estava desempregada e não tinha condições de comprar uma roupa, um sapato, um brinquedo e a Sacolinha Solidária sempre veio na hora certa.”
A campanha foi pensada para atender as crianças de 0 a 11 anos atendidas pelos projetos da UNAS, com a adoção de uma ou mais Sacolinha Solidária que pode ser retirada em algum dos projetos da UNAS. E também nos adolescentes com idades a partir dos 12 anos, que recebem um vale-presente, permitindo que eles escolham suas próprias roupas. A proposta reforça dois dos princípios presentes no trabalho da UNAS: autonomia e responsabilidade.
A campanha também promove um impacto no comércio local, as últimas edições da Sacolinha Solidário têm estabelecido parcerias com lojas do próprio território que contribuem na montagem das sacolinhas adotadas nos projetos. No caso dos adolescentes, os vale-presentes só podem ser utilizados nas lojas parceiras. Assim, além de promover solidariedade neste período do ano para crianças e adolescentes, a campanha também contribui para fortalecer a economia do próprio território.
Mais do que um presente, a Sacolinha Solidária representa a possibilidade de que crianças e adolescentes também possam viver a experiência, a alegria e o afeto presentes nas celebrações de fim de ano, independentemente das condições econômicas. Em 2026, a campanha chega a mais uma edição envolvendo uma rede de solidariedade para que esse momento de afeto continue fazendo parte da vida de milhares de crianças e de adolescentes que vivem em Heliópolis e em outros territórios, como Água Funda, Boqueirão e Jardim São Savério.
































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