Com 18 mil refeições diárias, projetos da UNAS garantem alimentação saudável em meio alta da fome

60 milhões de Brasileiros sofrem com algum grau de insegurança alimentar. Em Heliópolis e região os projetos da UNAS tem um importante papel para além da educação, cultura e direitos humanos que é garantir acesso à alimentação de qualidade à milhares de crianças


Mais da metade da população brasileira vive hoje com algum grau de insegurança alimentar, em 2022, 6 em cada 10 famílias no país não têm acesso pleno à alimentação. Esse cenário é agravado pelo desmonte de políticas públicas e governos que não priorizam a erradicação da pobreza e da fome, o que faz o Brasil ter 33,1 milhões de pessoas sem terem o que comer, retrocedendo aos anos 1990, onde o acesso a uma alimentação segura era muito mais distante, mas mesmo com esses dados tão alarmantes algumas ações e projetos sociais, como a UNAS, garante o acesso a alimentação completa e saudável.

Diariamente a UNAS atende cerca de 4.500 crianças e adolescentes com idade que variam de 04 meses de vida à 15 anos, esse público é beneficiado pelas atividades dos CEIs - Centros de Educação Infantil e CCAs - Centros para Crianças e Adolescentes, onde desenvolvem uma série de atividades educacionais, culturais e direitos humanos. Mas cada um desses espaços tem uma responsabilidade ainda maior nesse cenário de fome em que vivemos. Grande parte das crianças atendidas depende da alimentação oferecida nesses projetos, são cerca de 18 mil refeições diárias que garantem acesso à alimentação de qualidade.

O trabalho feito pela Nutricionista Patrícia Simões Pires, de 35 anos, nos Centros de Educação Infantil é um exemplo que detalha o cuidado e a importância que a UNAS dá a alimentação saudável e de qualidade em seus projetos. Durante os dias nos CEIs são oferecidas cinco refeições diárias, sendo elas o Café da manhã, à colação, o almoço, o lanche da tarde e o desjejum, mas a faixa etária das crianças varia, ou seja, as porções e os alimentos não são iguais. Com isso é necessário que todas as pessoas envolvidas no período em que as crianças estão na creche entendam a importância dessa distribuição nutricional, e é neste momento que o trabalho da Nutricionista se mostra indispensável. As visitas da profissional aos projetos oferece formação às equipes da cozinha, inspeção da higiene, cuidados e manipulação dos alimentos. “Eu procuro trazer conteúdos voltadas às práticas diárias delas, oficinas, a importância dos grupos alimentares, os cuidados com manipulação, desde o preparo até a distribuição das refeições para garantir qualidade na alimentação, destacando também o trabalho em equipe.” disse a profissional.

Patrícia acompanha o trabalho nutricional de 17 creches da UNAS conveniadas à Prefeitura de São Paulo, que cuidam de crianças de 0 a 04 anos, “Nas assessorias as creches, conseguimos garantir uma alimentação equilibrada e saudável, priorizando os alimentos em natura, ou seja, a comida de verdade de acordo com a faixa etária de cada criança que atendemos.”

Na última oficina com a equipe do CEI Padre Pedro Ballint a Nutricionista tratou do porcionamento dos alimentos já que a compra deles tem que ser feita de forma consciente e que a distribuição seja pensada com calma evitando o desperdício, mostrou a diferença de um alimento cru e cozido como as porções podem aumentar e diminuir traçando a ideia de que desde a compra até o prato tudo tem que ser milimetricamente pensados, já que nem tudo vem da Prefeitura de São Paulo como as carnes e o hortifruti.


Valdinelia Mota dos Santos, gestora do CEI Pd. Pedro Ballint esclareceu o quanto o trabalho da nutricionista facilitou seu trabalho na hora de fazer os pedidos e a compra dos alimentos utilizados no Centro e que a formação ampliou o conhecimento da equipe, principalmente quando dão uma devolutiva a seus pais. Relatou também que esse trabalho realizado uma vez no mês se estende até os hábitos das crianças em casa já que a alimentação deve ser conduzida em paralelo com a creche, como por exemplo oferecer uma comida amassada para os bebês ao invés de batido ajuda na estimulação da dentição trazendo benefícios para o bebê, ou quando elas auxiliam as mães a importância do aleitamento materno ou em mamadeiras congeladas ou até mesmo que a mãe visite o local e alimente o seu filho, a Gestora ainda relembrou um caso onde uma criança que não comia macarrão precisava ser estimulada a se alimentar de forma mais saudável já que sua mãe dava um leite com fórmula, ou seja, uma mamadeira pesada para a criança daquela idade fazendo com que ela perdesse a fome durante o horário que era assistida, então neste caso, o papel de falar com a família garante uma ação conjunta entre o projeto, mães e pais, priorizando uma alimentação adequada.

Como parte do processo de formação aplicado pela nutricionista acompanham alguns pilares a serem respeitados durante o trabalho que são:

  • Introdução Alimentar;

  • Consistência dos alimentos;

  • Educação alimentar;

  • Higiene dos alimentos;

  • Manipulação dos alimentos;

  • Nutrição adequada a faixa etária;

Estes pilares garantem uma formação saudável da criança a partir da alimentação, evitando problemas de saúde como alergias que podem ser desenvolvidas com a falta ou excesso de algum alimento.


O trabalho realizado pela UNAS em Heliópolis e comunidades do entorno, contribui para a segurança alimentar de milhares de famílias que em meio a alta da fome, têm nesses projetos o acesso a alimentação de qualidade que infelizmente em muitos casos falta em casa.


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