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  • Escrito por Gustavo Pinto | Edição Douglas Cavalcante

A importância e desafios da amamentação

O mês de agosto é conhecido como Agosto Dourado por simbolizar a luta pelo incentivo

à amamentação e o aleitamento materno

A amamentação é um período muito delicado para diversas mães, mas no Brasil em especial a falta de informação é um problema que atinge grande parte das mulheres no período, são diversas as dúvidas a serem sanadas, mas poucos profissionais dentro de um sistema de saúde contribuem para a desinformação, fazendo com que as mães, principalmente de primeira viagem carregam diversos medos neste momento tão importante para sua vida e de seu bebê.


Muita gente fala sobre como é bonito amamentar e como essa ligação é única, mas essa é a parte boa desse processo, aqui neste texto vamos pouco a pouco desromantizar a amamentação, que é uma coisa linda, maravilhosa e natural, mas que com a falta de informação pode ser um período de muito medo, muitas dúvidas, segundo a Doula Elis Teixeira as maiores dúvidas das mães são: “se o leite é suficiente para alimentar os bebês, como colocar os bebês para mamar, as posições que são melhores, se tem que arrotar toda vez que mama, como fazer massagens para ajudar na ordenha, o que fazer quando a mama se machuca, o que eu posso comer ou tomar de medicamento para não influenciar na amamentação, por quantos minutos o bebê tem que mamar, como sei se minhas mamas estão cheias ou vazias, o que eu preciso fazer se tenho muito leite e quero doar, até quando é o ideal que o bebê mame”, essas e outras várias dúvidas permeiam a vida de diversas mães, e segundo Elis “o item mais importante do enxoval é a informação”, a informação é essencial para que essas dúvidas possam ser sanadas sem medo.


A primeira coisa que se precisa saber é que durante a gestação não é necessário nenhuma preparação o corpo já faz esse processo naturalmente, durante o pré natal não é necessário se preparar para a amamentar, mas sem informação a mãe pode cair em algumas armadilhas, ainda na maternidade as mulheres que têm os filhos em hospitais, normalmente ficam internadas por dois dias, e as dúvidas delas é se vão ter leite e se conseguirão amamentar, mas nesses dias normalmente o que sai é o colostro e isso precisa ser disseminado nesses espaços, pois muitos deles já querem introduzir fórmulas, o que é errado se a criança realmente não precisa desse complemento alimentar. Uma mãe que não sabe o que é o colostro pode cair nas fórmulas, ao tentar amamentar o leite pode vir em três, quatro dias, mas se uma mãe usa a mamadeira com medo de não ter o leite pode acontecer um problema de desmame precoce, causando problemas tanto na mãe quanto no bebê.


Existe duas indústrias que atrapalham muito o processo de amamentação, como a indústria das cesarianas, somente 10 a 15% deveriam usar o método, no Brasil mais de 50% o utilizam, tem clínicas que 90% o usam, o que é errado já que pode interferir na amamentação, a outra indústria é a de fórmulas infantis, elas foram criadas para auxiliar mães e bebês que têm dificuldades maiores na alimentação do bebê, o sistema capitalista também quer lucrar com a amamentação!


É preciso ter uma rede de apoio, composta por pessoas próximas, familiares e cônjuges, mas não só, quando uma mãe hoje em dia tem seu filho no hospital ela precisa de uma rede intensa e presente, quando são de primeira viagem a preocupação com isso tem que ser um pouco maior, muita gente vai opinar e criticar, mas como saber o que é verdade ou não. Cada gestação é diferente mas há algumas indicações que podem ser generalizadas, as mães precisam acreditar que conseguem e podem amamentar, é um desafio? Sim é, mas a confiança não vem em casos de falta de informação, é preciso acreditar que esse processo acontecerá naturalmente, outro desafio é fazer com que o encaixe do bebê a mama seja eficiente, ele tem que conseguir extrair o leite de forma que consiga se nutrir, muitas vezes é preciso de ajustes, como as posturas tanto da mãe quanto do bebê, evitando fissuras na mama e a desnutrição da criança.


Outro desafio é quando parar de amamentar, qual momento é o bastante para que o bebê tenha se alimentado, a observação é muito importante nesse período, a amamentação de livre demanda não é indicado, é preciso observar se ele consegue se alimentar, as fraldas, o peso e outras coisas no processo, aqui o acompanhamento com um pediatra é crucial, mesmo que sabemos que nem em todos os casos é possível. Mulheres consideradas não-brancas tem uma grande dificuldade de acesso a uma rede de apoio, como também de um acompanhamento médico de qualidade, “as fórmulas são bem caras então uma mãe que amamenta pode economizar dinheiro além de garantir uma alimentação saudável e muito bem estar para todos os envolvidos” contou Elis, é preciso um olhar mais assertivo e individual nesses casos, a desinformação pode levar a mãe e o bebê a desenvolver diversos problemas.

Diversas mulheres têm dificuldade de amamentar por pressão estética, as mamas são fábricas e não estoque, é preciso que o bebê sugue, então os seios passarão por algumas transformações no processo, é natural. Quanto tempo pode se alimentar um bebê? O correto é que a mãe alimente o seu filho por ao menos seis meses, pode passar desse período, sim pode, mas o essencial para nutrição e criação de anticorpos é de seis meses, se for menor o tempo de amamentação é necessário um acompanhamento com cada caso, lembrando que cada gestação é única, então se informe, procure e crie uma rede de apoio “eu quero continuar com amamentação, não tenho problema de esperar a manhã toda pra amamentar ela, o olhar que ela olha pra você a vontade que ela tem de ficar e amamentar, é muito único” ressaltou Nayara, mãe da Laura que é acompanhada pelo CEI Josefa Júlia.

Algumas dessas orientações levantadas aqui não são passadas em partos em hospitais, isso infelizmente por um processo de falta de humanização do sistema de saúde no geral, algumas mães procuram outros métodos, outras referências além das médicas como as Doulas, que significa "mulher que serve a outra mulher" do grego. Atualmente, a doula promove: Suporte informativo apresentando evidências científicas atualizadas, desmistificando mitos, utilizando linguagem empática e acolhedora. Amparo físico através de exercícios e massagens permitindo à mulher uma livre movimentação durante o trabalho de parto. Suporte emocional, colaborando para a superação de seus anseios mais comuns do período gestacional e puerperal. Auxilia na elaboração do plano de parto, e escolha conscientizada do protagonismo do seu parto. Além de escuta ativa, promoção do autoconhecimento corporal que permite à mulher conhecer, perceber e decidir sobre a evolução do seu trabalho de parto. É importante lembrar que: o conhecimento e a prática apoiam o empoderamento e favorecem a fisiologia do parto, pós-parto, amamentação, bem como a socialização dessa mulher nesse período transformador. O Atendimento de uma Doula como profissional multidisciplinar traz benefícios para o indivíduo, família, sociedade e para a saúde pública. A Doula cuida de quem cuida, e sim, isto é uma profissão.

Outra grande dificuldade encontrada no período é a licença maternidade que normalmente dura quatro meses, o ideal seria que a mãe amamente até seis meses então o desafio aqui é voltar a trabalhar e conseguir continuar amamentando. Se ela não tem uma rede de apoio para auxílio na ordenha, já que o leite se acumula a cada três, quatro horas e pode acarretar problemas na mama caso não venha a retirar, e outro ponto é ao guardar adequadamente o leite, tudo isso pode levar o bebê a desmamar, “Eu fui em várias entrevistas de mercado e a primeira coisa que eles perguntam é se você tem filho, filho não é uma coisa de outro mundo, então quer dizer que você não pode trabalhar se você tiver um filho” expôs Tayla, mãe do Heitor que está hoje no CEI Climax I Se o empregador entende a mãe tudo muda, é muito importante essa informação, já que atualmente existe um conflito entre a licença e o que é necessário para o bebê e a mãe.


A amamentação é um período único para a mãe e seu filho, são diversos os benefícios para ambos, além de claro criar uma ligação muitas vezes inexplicável “o colostro e o leite são alimentos completos, tem todos os nutrientes que o bebê precisa para se manter adequadamente, ele também vem com anticorpos, quase como uma vacina, é preciso informação, tudo que uma mãe necessita nesse período é de informação, a desinformação só traz malefícios para quem está passando por esses períodos” detalhou Elis sobre a importância desse ato muitas vezes romantizado.


A UNAS hoje conta com 17 creches em Heliópolis e região, totalizando 3 mil crianças atendidas, dentro de nossos espaços existem alguns locais para que as mães que amamentam possam amamentar com segurança e privacidade, as educadoras e professoras dos locais também incentivam e entendem a importância de amamentar, “desde que eu entrei com ele aqui, ele tinha só dez meses, e eu sempre tive apoio, sempre elas (as tias da creche) vinham aqui e perguntavam se eu precisava de alguma coisa, essa creche aqui ótima e os funcionários também falou Vitória mãe do Ryan que é acompanhado no CEI Josefa Júlia. Se você é mãe, ou vai ser, nos conte aqui sua experiência, Agosto é o mês de referência para a amamentação e o aleitamento materno, vamos disseminar que o item mais importante do enxoval é a informação!


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