Seminário em Heliópolis debate educação para além dos muros

Mesas de debate simultâneas em três diferentes escolas públicas da comunidade, trataram de temas como: alimentação, infância, territórios periféricos, educação, rede de proteção, preconceitos, saúde e juventude.


Em dois dias de encontros, 790 pessoas estiveram reunidas no 13º Seminário Heliópolis Bairro Educador, organizado pela UNAS. O evento tem o objetivo de promover debates acerca de uma educação emancipadora que esteja integrada aos desafios e problemas da comunidade e que a educação seja eixo condutor de transformações sociais, “Eu nunca havia participado dos seminários da UNAS e havia em mim uma construção padrão de seminários formais e fui engajada para participar de uma palestra, mas tive uma excelente surpresa, estar num espaço onde havia um diálogo transgeracional sobre o conceito que "tudo passa pela educação" foi uma recarga de alma.” Adriana Santos, 24 anos, que participou do Seminário.

Neste ano, o Seminário promoveu sete mesas de debate simultâneas em três diferentes escolas públicas da comunidade, tratando de temas como: soberania alimentar, infâncias em territórios periféricos, direito à educação, rede de proteção, preconceitos e discriminação racial, saúde mental e resistência da juventude com nomes de peso da comunicação, educação e diversas outras áreas como José Raimundo Souza Ribeiro Jr., Ariela Doctors, André Luzzi, Maria Agraciada, Ana Estela Haddad, Julio Cesar Silva Santos, Sonia Kruppa, Êda Luíz, Suze Piza, Cisele Ortiz, Clélia Cortez, Natacha Costa, Roberta Peres, Salomão Ximenes, Mariana Maria, Rosana Giannoni, Fátima Bonifácio, Rosi de Sá, Vera Paiva, Madu Fernandes, Helena Singer, Artur Paulo Moraes de Lucca, Sabrina Santos.

A programação deste Seminário foi concebida a partir de um processo de escuta amplo e horizontal, com a participação de educadores e de lideranças comunitárias de Heliópolis. Uniram-se à UNAS a EMEF Presidente Campos Salles, a EMEF Abraão Huck e a EMEF Gonzaguinha, que juntas buscaram parcerias com a Academia, com os Movimentos Sociais e com Organizações da Sociedade Civil, com a intenção de que os debates nos tragam várias vozes, diversas perspectivas e inovadoras proposições. “O Seminário é muito importante, pois ele nasceu através das nossas necessidades, nós tínhamos demandas e necessidades, mas ele existe e é muito importante para continuar a construir esse bairro educador, já que sem ele talvez esse conceito de educador seria difícil de ser continuado, então ele segue levando a certeza de que o outro existe e resiste.” disse um dos idealizadores Braz Rodrigues Nogueira, Vice-presidente da UNAS.


Rafaela Alves, 29 anos participante da Mesa “A Alimentação do Brasileiro e a luta contra a fome” destacou e reforçou a importância de ser tratado o tema na região já que o estado, muitas vezes se mostra negligente com o assunto, “Há poucos espaços como este para dialogar sobre um assunto tão importante como a soberania alimentar. Sabemos que hoje 125,2 milhões de brasileiros convivem com algum grau de insegurança alimentar e ver que o governo atual não faz nada para amenizar essa situação, e ainda faz piadas e algo que dói na alma. Agora que me tornei mãe vejo o quanto é importante ter uma alimentação saudável, sem industrializados, desde os primeiros meses de vida, porém também me deparo com um cenário onde está cada vez mais difícil garantir o mínimo para os nossos filhos.”


Já Adriana Santos que participou do debate na mesa “A Presença do Estado no processo de resistência da juventude periférica” ressaltou a importância da discussão da educação sexual nos espaços públicos e principalmente educacional, apontando mais uma vez uma falta de diálogo com o estado, “O próprio ECA, uma das grandes ferramentas de proteção à vida infantil, se abstém a esse diálogo afirmativo da educação sexual, focando sua proteção através da prevenção ao abuso e exploração, a partir da compreensão de que a educação sexual é um Direito Humano, a falta de diálogo do Estado se torna mais uma negligência sobre a vida dos nossos jovens.”

O Seminário teve mais uma grande edição com diversas partilhas e construções coletivas destacando a educação emancipadora para além dos muros, salientando que essa produção, as discussões e debates são necessidades da periferia trazendo a Academia, os Movimentos Sociais e as Organizações da Sociedade Civil para as conversas, e não o contrário como vem sendo feito. “Esse ano foi bonito porque a gente foi pra dentro das escolas, então é o território dentro das escolas, nós estamos representados lá, tem alguém da academia mas tem alguém que fala nossa linguagem.” Disse Antonia Cleide Alves, Presidenta da UNAS que completou destacando que “Eu quero que um dia a gente precise gritar por outras coisas, quero a gente possa avançar e fazer um seminário com outros temas e que estas questões de direitos tão fundamentais e básicos já tenham mudado.”




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