Podcast sobre Ciência é o novo projeto de jovens em Heliópolis

Discutindo, refletindo e problematizando temas científicos que sejam de interesse das periferias, proporcionando uma profusão de saberes fundamentais para interpretar o mundo e resistir a uma época repleta de negacionistas.


A produção científica dentro das comunidades é uma produção contínua, referenciando diversas áreas do saber, mas onde estão esses pesquisadores, onde são publicados esses materiais? Pensando nisso, dois jovens pesquisadores e universitários, Sabrina Oliveira de 22 anos e Moroni Henrique de 20 anos, moradores da maior favela de São Paulo, Heliópolis, e pesquisadores do Observatório De Olho na Quebrada, criaram o Helipa Na Ciência, programa no formato Podcast em parceria com o grupo de pesquisa Jornalismo Humanitário e Media Interventions (HumanizaCom), da Universidade Metodista de São Paulo, discutindo, refletindo e problematizando temas científicos que sejam de interesse das periferias, proporcionando uma profusão de saberes fundamentais para interpretar o mundo e resistir a uma época repleta de negacionistas.

O programa é transmitido pela Rádio Heliópolis, 87,5 FM, e tem seis episódios previstos, dois deles já foram ao ar. Os temas abordados são frutos de uma pesquisa feita com os moradores da comunidade, para melhor compreensão dos assuntos, referenciando tópicos do cotidiano desses moradores, abrangendo a formação de cientistas das periferias, segurança alimentar, emprego e renda, mudanças climáticas, direito à cidade e outros. “Os questionários foram difundidos entre os moradores para que seja referenciado temas do cotidiano, como a internet, houve esse questionamento de como a internet chega nas comunidades ou até mesmo a falta dela.” disse Sabrina, uma das apresentadoras.


Um dos focos do projeto é ultrapassar a bolha conhecida como o negacionismo, é difundir tópicos e assuntos do cotidiano a partir das vivências, já que as produções são difundidas a partir de um ponto de vista, ou seja, a ciência que “chega” são frutos das brechas do próprio negacionismo “ A gente precisa ter um viés mais crítico sobre isso mas que você não precisa ser versado em um curso para saber sobre isso, e sim que você ter sua visão de mundo é um direito seu.” Disse Sabrina ao ser questionada como é o reconhecimento desses cientistas na periferia.

Foram oferecidas oficinas de jornalismo científico, locução, podcast, captação e edição de vídeo e produção de boletins para os jovens da periferia com o intuito de ir além do próprio podcast, visando uma disseminação do conhecimento, já que o acesso a academia é uma das maiores dificuldades desses jovens cientistas “Para comprovarmos que nossa ciência é uma ciência é necessário ir para as ruas, é preciso fazer uma ciência que afete o povo” Disse Moroni, sobre a produção feita pelos cientistas da periferia. A capacitação foi realizada por pesquisadores e pesquisadoras de mestrado e doutorado e membros do grupo de pesquisa HumanizaCom, pelas jornalistas e professoras Cilene Victor e Filomena Salemme e pelo professor Roberto Chiachiri, diretor da Cátedra Unesco-Umesp de Comunicação para o Desenvolvimento Regional.


O Helipa na Ciência tem o apoio institucional e financeiro do Instituto Serrapilheira, com sua produção realizada em um dos espaços da UNAS, a Rádio Comunitária de Heliópolis. Para saber mais e acompanhar o programa que vai ao ar às terças-feiras das 15h as 17h, acesse na rádio 87,5 FM ou pelo site: heliopolisfm.com.br



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