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  • Escrito por Wallace França | Editor Douglas Cavalcante

Movimentos Populares da UNAS: uma luta pela transformação social e garantia de direitos


A UNAS Heliópolis e Região completou 45 anos da sua atuação em 2023, tendo reconhecimento dentro e fora dos territórios onde os desenvolve seus projetos, justamente por atuar em diversas frentes de trabalho, contribuindo para transformação dessas pessoas que são atendidas, buscando o desenvolvimento integral da comunidade através da educação e da cidadania. O importante trabalho UNAS é validado pela essência da sua origem que é a necessidade dá luta pelo direito à moradia, pela permanência dos moradores em Heliópolis e pela conquista de serviços sociais para garantia dos demais direitos humanos. Uma luta de muitos anos, que já alcançou as novas gerações e que se mantém viva pelo entendimento de que a luta coletiva se fortalece cada vez mais quando a informação e conhecimento adquirido na mobilização social são colocados em favor de toda uma comunidade.

Essa articulação tem início na década de 70 pelos próprios moradores que chegaram aqui e pelas primeiras lideranças que se organizaram enquanto uma comissão de moradores nos diversos núcleos espalhados pela Favela de Heliópolis; para que juntos pudessem debater e contribuir pela melhoria coletiva da comunidade. Manoel Otaviano da Silva, um dos atuais coordenadores do Movimento Sem Teto de Heliópolis, relembra como chegou dentro desses espaços que tinha como maior objetivo, alcançar melhorias para um território que já nasceu com inúmeras ausências, e o que motiva permanecer nesses coletivos até hoje.

“Cheguei nos movimentos populares da UNAS em 1986 quando a luta e a demanda eram pela garantia da terra e por habitação, onde eu achei que ficaria por pouco tempo e cá estou eu, há 33 anos de participação. Estou a tantos anos por que acredito nessa causa, por que eu tenho claro que as conquistas no coletivo organizado já são difíceis, mas se for uma pessoa sozinha, pensando apenas em si, será praticamente impossível realizar qualquer mudança e é por esse grande motivo que escolho ficar. Enquanto tiver uma pessoa sem moradia ou sem o acesso a saúde, eu tenho que estar nessa luta, por que são nossos direitos. Como a UNAS é luta por garantia de direitos, eu estou nessa.”

Ao longo desse processo intenso que envolveu muitas pessoas, diversas reuniões e plenárias, muita articulação popular e política, e até mesmo alguns desafios na construção desse processo coletivo, outras necessidades foram surgindo ao passo que a comunidade foi recebendo cada vez mais moradores. Outra fonte de chegada de demandas aconteceu depois da implementação de projetos sociais no território, onde a partir das vivências e da escuta das necessidades, outros movimentos populares foram surgindo, de maneira muitas vezes até que imperceptíveis como destaca Mayara Esteves, que fez parte da criação do movimento da juventude e que hoje compõe a coordenação do Movimento de Mulheres da UNAS. “A importância dos movimentos populares na minha vida é fundamental e faz parte da minha construção como cidadã desde muito cedo. Na minha participação nos projetos da juventude, foi possível nuclear o movimento da juventude. Eu com apenas 16 anos, tive a alegria de colocar em prática aquilo que recebi enquanto formação dentro do projeto, o que me deixa muito orgulhosa pois essa articulação acontece até os dias de hoje, possibilitando ampliar a visão do que é a luta coletiva e qual o impacto nas nossas juventudes. Depois de 6 anos de participação, fui convidada para participar do movimento de mulheres que me colocou na posição de estudar mais sobre as temáticas, passando por um importante processo de formação, discussão, reflexão e também de pressão dos órgãos públicos, culminando na aplicação efetiva de ações em prol de toda comunidade.”


A continuidade desse trabalho voltado para as necessidades de territórios que mudam a partir da necessidade das pessoas que estão nas comunidades, torna esse processo dos movimentos populares ainda mais desafiador, mas não menos possível como nos conta o jovem Yaz Nascimento da Silva (18) que entrou no Movimento da Juventude da UNAS com 17 anos, integrando a coordenação e iniciando esse processo de articulação que extrapola as plenárias do movimento, chegando nas demandas escolares e também na sua participação como Educador Social do projeto MUDEM - Minas e Manos Unidos Descontruindo o Machismo, que visa debater o machismo na sua estrutura, destaca qual a importância de iniciar seu processo de militância que vem também da influência familiar.

“Eu gosto muito do movimento Fala Jovem por acreditar na importância de a juventude participar e estar presente nesses locais de debate e garantia de direitos, ganhando seu espaço e tendo sua voz sendo respeitada. Eu sempre pensei dessa forma, desde da minha pré-adolescência, então quando tive a oportunidade de participar de um projeto como o MUDEM e que eu teria a chance de falar e aprender mais sobre pautas tão importantes e que fala diretamente com outros jovens, eu agarrei essa oportunidade única. Quando eu vi que também poderia participar do Fala Jovem que dá espaço para os jovens, eu fiquei muito feliz e quis logo fazer parte desse coletivo. É isso que faz eu lutar por que eu acredito muito na minha geração, apesar de muitas coisas que acontecem e saber que tem pessoas que não acreditam tanto, eu acredito no poder dessas juventudes por ter tanto conhecimento a nossa disposição através da internet.”


Hoje são oito Movimentos Populares que são a base da UNAS (Mulheres, LGBTQI+, Negro, Juventude, Moradia, Saúde Fé e Política e o Movimento de Cultura de Paz) que possuem uma atuação permanente ao longo desses anos por escolha identitária e espontânea, oportunizando espaços seguros de debate e de variadas opiniões com a garantia de espaço valido de fala e de acolhimento, onde as dúvidas e demais questões são colocadas em pauta, onde independente da idade e do tempo de luta, as pessoas serão acolhidas. Para Reginaldo José Gonçalves, Diretor da UNAS e atuante nos movimentos populares, entender a realidade da comunidade, entendo as atuais ferramentas disponíveis, podem e devem potencializar a luta organizada popular.

“Eu antes de participar da luta popular e de conhecer os movimentos sociais, pensava muito no individual, no meu e agora eu penso na comunidade e no que eu posso contribuir. Minha origem é do Movimento HIP HOP que é um movimento que através das diversas linguagens artísticas, destaca a realidade e provoca a mudança a partir da denúncia e da luta, assim como é feito dentro das plenárias. Eu comparo o Heliópolis com outras comunidades e outras regiões e vejo que aqui temos um avanço, falta muita coisa, mas temos aqui esse movimento articulado e consolidado a tantos anos e é possível ver a diferença. O movimento nos ajuda a fortalecer e entender o nosso papel na sociedade e quais são as instancias de participação popular como conselhos, conferências, seminários e as plenárias onde são locais de incidência politica onde dialogamos sobre as nossas demandas e buscamos soluções para os diversos desafios. Lá atrás não tínhamos internet e os diversos recursos tecnológicos que temos hoje, e a gente se fortalecia nas reuniões. Hoje temos uma outra estrutura, redes sociais e muitas tecnologias e temos que nos apropriar e usar ao nosso favor, sem deixar o olho no olho, onde conseguimos acessar as pessoas chegando no nosso povo e na nossa comunidade.”


Os dias das plenárias de cada movimento são variadas e acontecem uma vez por mês onde os coletivos organizam os espaços e escolhem as temáticas a partir de um planejamento prévio, visando debater as demandas dos territórios e incidir em mudanças. Participe e faça parte dessa mobilização popular.

 

Movimento de Mulheres de Heliópolis e Região: 1º Sábado do Mês - 9h (Rua Flor do Pinhal, 02 / Heliópolis)


Movimento de Fé e Política: 1º Sábado do Mês - 9h (Rua da Mina Central, 38 / Heliópolis)


Movimento Negro de Heliópolis e Região: 2º Sábado do Mês - 9h (Rua Canção do Exílio, 175 / Jd. São Saverio)


Movimento Fala Jovem: Última Quinta-Feira do Mês (Rua da Mina Central, 37 B / Heliópolis)


Movimento Sem Teto Heliópolis: 1º Sábado do Mês - 14h (Rua Coronel Silva Castro, 58 / Heliópolis)


Movimento Sem Teto Região: 1º Sábado do Mês - 16h (Cancção do Exílio, 210 / Jd. São Saverio)


Movimento de Saúde: 2º Sábado do Mês - 09h (Rua Coronel Silva Castro, 58 / Heliópolis)


Movimento O Grito da Diversidade: 3ª Sábado do Mês - 15h (Rua da Mina Central, 38 / Heliópolis)


Movimento Sol da Paz Heliópolis: Agenda de acordo com a Caminhada Pela Paz

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