UNAS transforma Direitos Humanos em experiências durante semana pedagógica
- Escrito por Marcela Muniz
- 29 de ago. de 2025
- 4 min de leitura
Atividades foram realizadas nos projetos na última semana de agosto
Os direitos humanos representam um conjunto de princípios universais que orientam a garantia da dignidade, da liberdade e da igualdade para todas as pessoas. Eles estão presentes em situações cotidianas, como o acesso à educação, à saúde, à moradia e à segurança. Nesse sentido, anualmente a UNAS promove, em seus projetos e serviços, a Semana dos Direitos Humanos, com práticas pedagógicas que buscam garantir que crianças, jovens, adultos e idosos compreendam seus direitos, fortalecendo a cidadania e a luta coletiva.
A partir de um planejamento prévio, os equipamentos em Heliópolis e na Região realizaram atividades com seus atendidos entre os dias 25 e 29 de agosto, a fim de fomentar a conscientização e a formação em Direitos Humanos.

Erasto Fortes Mendonça, Coordenador-Geral de Políticas Educacionais em Direitos Humanos, destaca no livro Direitos Humanos e Educação Libertadora: “mais que uma educação para os direitos humanos, a educação em direitos humanos propicia, já no processo educativo, experiências em que se possam vivenciar os direitos humanos e o respeito incondicional à dignidade humana e à riqueza de suas diversidades”. O ponto de vista do educador dialoga diretamente com a proposta da Semana dos Direitos Humanos da UNAS que, além de transmitir apenas conceitos, busca criar experiências concretas para que os participantes vivenciem, na prática, o conhecimento sobre os seus direitos.
Biblioteca Comunitária fortalece acesso à cultura na favela
Ao longo da semana, a Biblioteca Comunitária de Heliópolis, um dos projetos sociais da UNAS, promoveu atividades que estabeleceram um espaço de troca entre crianças, adolescentes e autores, buscando proporcionar o acesso aos livros e à cultura, direitos essenciais relacionados ao desenvolvimento intelectual e emocional das pessoas.
Glau Dantas, 42 anos, é escritora e integrante do coletivo de mulheres Me Parió, que publica obras de mulheres periféricas que não possuem oportunidades de reconhecimento de seus trabalhos. Diante desse contexto, Glau apresentou seu livro “A Colheita”, publicado pelo coletivo, a crianças e adolescentes de Heliópolis em um bate-papo na Biblioteca. A artista refletiu sobre a necessidade de implementar iniciativas que possibilitem o acesso: “Às vezes, o primeiro contato que a pessoa tem com a literatura acontece em uma roda de conversa como essa. Antes disso, ela nunca tinha tido esse momento, porque a vida é assim mesmo: muitas famílias não têm o hábito da leitura, e acabam não proporcionando isso aos filhos. Então, quando surge essa oportunidade, ela se torna a garantia de um direito humano: o acesso à leitura”.

Direitos Humanos nas atividades desde a primeira infância
Além do público da Biblioteca, os bebês atendidos diariamente nos 17 CEIs (Centros de Educação Infantil) gerenciados pela UNAS também vivenciaram experiências voltadas para a promoção dos Direitos Humanos. O CEI Josefa Julia realizou, na quarta-feira (27), dinâmicas entre as turmas da creche, divididas por faixa etária, que abordaram o direito à cidade, ao voto, à saúde e à moradia. A necessidade de ensinar direitos humanos desde a primeira infância é fundamentada na importância de estimular a construção de valores que orientem o desenvolvimento integral da criança, durante o período em que ela está em pleno processo de formação cognitiva. Nos primeiros anos de vida, a criança está especialmente receptiva à informações que formam as bases de sua identidade e, consequentemente, da autoestima e da noção de cidadania.
O aprendizado sobre seus direitos contribui para que os pequenos cresçam com mais consciência de si e do mundo, favorecendo a construção de relações mais justas. No contexto de uma infância na periferia, onde essas crianças convivem com a desigualdade, a falta de acesso a serviços básicos e situações de vulnerabilidade, essa conscientização ganha ainda mais importância. Reconhecer seus direitos significa entender que saúde, educação, lazer e proteção são garantias fundamentais, estabelecendo um senso crítico sobre a ausência dos elementos.
Por outro lado, a viabilização desses conhecimentos através de atividades didáticas sensoriais permitem que as crianças compreendam os direitos humanos de forma menos complexa e mais acessível. Atividades que envolvem arte e contato com diferentes culturas e ambientes permitem que a criança explore a pluralidade do mundo ao seu redor.
Metodologia participativa
Paulo Freire defendia a educação como um processo coletivo, em que professores e estudantes aprendem uns com os outros. A partir dessa ideia, a metodologia para a construção da Semana dos Direitos Humanos envolveu a escuta ativa e a participação dos atendidos. O CCA (Centro para Criança e Adolescente) Georgina em parceria com a UBS Reschilian promoveu, na terça-feira (26), uma dinâmica voltada para o autocuidado e a higiene pessoal.
Priscila Esteves, 32 anos, gestora da unidade, relatou que a demanda foi identificada pelos próprios adolescentes: “A saúde e a precarização do SUS [Sistema Único de Saúde], foi uma pauta que eles mesmos levantaram. Pensamos nessa atividade para discutir de que maneira podemos acessar os serviços que existem e estão localizados próximos a eles, mas que muitas vezes não podem ter um acesso digno.”

A discussão foi feita de maneira lúdica, utilizando uma contação de histórias e roda de conversas, com a agente de um equipamento de saúde da região, “para reforçar a importância do autocuidado e mostrar como é possível reivindicar esse direito por meio das políticas públicas e das discussões trazidas pela técnica no dia” destaca Priscila. Esse método estimula a participação cidadã e comunitária das crianças e fortalece o protagonismo juvenil perante às problemáticas da favela.
As atividades realizadas nos equipamentos sociais de Heliópolis e Região reafirmam a importância do exercício constante da cidadania, a partir do reconhecimento e da reivindicação de direitos que são negados frequentemente, principalmente para a população periférica. A Semana dos Direitos Humanos evidencia e se conecta com a trajetória de um território que, para ser transformado, precisou contar com a mobilização comunitária para a luta sobre os seus direitos e políticas públicas.
Fotos: Comunicação UNAS | Cindy Tavares e Marcela Muniz






































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