Sarau em Heliópolis debate memórias da ditadura

Há 58 anos, no dia 31 de Março de 1964 o Brasil sofreu um Golpe Militar, dando início a um longo e tenebroso período de graves violações de direitos com milhares de assassinatos, torturas, desaparecimentos forçados, repressão e censura. Os efeitos de desse período da história brasileira continuam a assombrar as novas gerações, todo o horror vivido nesta época tenta ser camuflado e anulado por narrativas que enaltecem torturados e as ações das forças de repressão.


Para lembrar de cada uma das vidas perdidas, e fazer memória para que este momento nunca mais se repita, a UNAS na noite desta quinta-feira (31), realizou um ato cultural em frente a Biblioteca Comunitária de Heliópolis. O Sarau Memória e Resistência, reuniu artistas, poetas, professores, educandos, lideranças comunitárias, crianças e adultos, que transformaram uma noite de chuva em um lindo evento, rico de participação e cultura que provocou importantes reflexões a partir da conexão entre as violências do passado e do presente.

Para Ângela de São José Ferreira, gestora da Biblioteca Comunitária de Heliópolis, o sarau foi de extrema relevância para todos que participaram de maneira presencial e por aqueles que acompanharam através das redes sociais. “Esse Sarau foi pensado com muito amor, carinho e força! Força da mulher brasileira, negra, periférica e força principalmente dessa comunidade que é Heliópolis. Não podemos nos esquecer nunca que em 1964 foi um golpe onde muitos civis foram mortos pela Ditadura Militar. Fomos “dormir” e quando acordamos muitos estavam presos ou desaparecidos. Infelizmente com a situação que o país está passando com esse governo corremos um grande risco de tudo isso voltar. O Sarau para nossa Biblioteca é de suma importância, por que uma biblioteca dentro de uma favela com 220 mil habitantes, já é um ato de resistência. A nossa preocupação maior é transformar esse público de Heliópolis em cidadãos pensantes e questionadores e o livro e a literatura têm esse papel. A rua está cheia! A rua é um espaço nosso e precisa ser ocupada por todos nós e principalmente pela literatura e pela cultura. Esse número expressivo de participantes com chuva, já nos diz tudo”.


A região do entorno da comunidade também se fez presente com uma expressiva participação de lideranças que mobilizam os bairros próximos com muita articulação e consciência do que de fato aconteceu na ditadura. “Fazer um Sarau em Heliópolis e poder contar com a presença da região do Parque Bristol, Jardim São Saverio, Clímax é importantíssimo para falar um pouco da memória que não pode morrer, de um período que foi muito brutal para sociedade e que o governo atual quer camuflar esse momento dizendo que foi uma revolução que aconteceu, mas que na verdade foi um golpe militar do qual não podemos permitir que isso retorne. Cada ato, cada quebrada e comunidade que está mobilizando esse debate, é significativo para que a gente saiba o que aconteceu e o que não pode retornar”. Paulo Sérgio Rodrigues, Fundador do Coletivo Perifatividade.


Letícia Avelino, 21 anos é pesquisadora do Projeto De Olho na Quebrada e ressalta o privilégio em aprender tanto sobre um período da história que é negado por muitos. “Nasci bem depois do golpe ter acontecido e a partir de tudo isso que estamos vivenciando aqui hoje, uma noite de muita cultura e informação. Ver muita gente consciente, na luta, mesmo que na chuva é resistência”.


O Sarau Memória e Resistência contribui para a preservação da verdadeira história, expressando a defesa estado democrático de direito, por meio da arte e da cultura.

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