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  • Escrito por Gustavo Pinto | Edição Douglas Cavalcante

Projeto de apoio à famílias em vulnerabilidade vem mudando vidas no fundão do Ipiranga

Para minimizar as situações de risco, exclusão e vulnerabilidade social das famílias do Jd. São Savério, Vila Livieiro e Parque Bristol a UNAS Heliópolis e Região vêm atuando desde 2011 com um importante projeto de assistência social à população desta região.

 

Algumas estruturas sociais precisam de auxílio, uma ajuda que muitas vezes é fora do âmbito familiar, fora dos vínculos que os afetos criam, como é o caso da Dona Marleide Porfirio, que tem 59 anos, mãe de seis filhos, mas que não conta com assistência de nenhum familiar, e tem encontrado ajuda no SASF - Serviço de Assistência Social à Família – Chico Mendes, que atua no Jardim São Savério, Pq Bristol e Vila Liviero.


O SASF é um serviço que estimula o protagonismo das famílias, com a formulação e implementação de propostas coletivas para melhorar a qualidade de vida delas e da comunidade, proporcionando atividades de geração de renda e inserção social. O projeto realizado pela UNAS é conveniado com a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo, beneficiando 1.000 famílias em estado de vulnerabilidade das comunidades do seu entorno.

Dona Marleide é a comprovação viva de que muitas pessoas vivem em vulnerabilidade extrema ainda hoje em 2023, ela que tinha uma vida estável quando vivia com seus pais viu tudo desmoronar com a morte deles, nesse período ela foi catadora de reciclagem e criou uma compulsão por lixo, vivia e comia rodeada do que encontrava nas ruas, “eu tinha doença no lixo, já tava viciada, comia coisas do lixo, levava tudo que encontrava, passei muita fome e sede” relatou ela sobre a experiência. Um tempo depois Marleide recebeu o contato de suas irmãs que fizeram uma divisão dos bens dos seus pais e lhe havia uma quantia para receber, foi neste momento que Marleide conseguiu sair das ruas e comprou seu barraco feito de retalhos de madeira, agora ao menos tinha um teto para se proteger do frio e da chuva.

Aos poucos a senhora foi se desvencilhando da sua compulsão pelo lixo mas mesmo assim os meios para sobreviver eram muito escassos, chegou a trabalhar de doméstica mas logo em seguida e teve um problema nos ossos que resultou em uma queda ao descer de um ônibus, ali naquele momento Marleide se viu sozinha e com medo, não conseguia trabalhar e os problemas de saúde só aumentavam, até que um contato inesperado foi a primeira esperança de uma mudança de vida “recebi o bolsa família através de um contato feito pelo CRAS, recebia 90,00 reais na época e passava por muitas dificuldades, sobrevivia com restos da feira mais o auxílio, vivia sem água e sem luz” contou ela ao relembrar que tudo começou a mudar ali.


O tempo foi passando e as vulnerabilidades de Dona Marleide aumentaram, foi quando através do Centro de Referência de Assistência Social, ela foi indicada para ser acompanhada pelo SASF - Chico Mendes, que teve uma acolhida muito forte com ela se preocupando com sua saúde e acima de tudo com sua autonomia, foi com essa ajuda que Dona Marleide pode se ver novamente como um ser humano, com seus direitos perto de serem alcançados. Os técnicos do projeto começaram a acompanhá-la em suas consultas no posto de saúde “pessoal do SASF me levou várias vezes para tomar medicação e também me levaram de Uber fazer a carteirinha para pagar a condução e como eu já tinha caído do ônibus eu tinha medo, mas eles me levaram” afirmou ela emocionada.


Mas os benefícios de ser atendida pelo SASF não findaram aí, os trabalhadores do projeto após um acompanhamento contínuo perceberam que que Marleide teria direito ao BPC Deficiênte (Benefício de Prestação Continuada da Lei Orgânica da Assistência Social), que é a garantia de um salário mínimo mensal à pessoa com deficiência que comprove não possuir meios de prover a própria manutenção, nem de tê-la provida por sua família. O benefício a princípio foi negado mas com insistência dos técnicos que acreditam no seu trabalho Dona Marleide conseguiu e hoje além do Bolsa Família ela recebe um salário mínimo, “O SASF é tudo pra mim, é a família que eu tive quando fiquei doente, foi nesse período que meus filhos me abandonaram, mas o projeto me ajuda em tudo” citou ela ao relembrar a ajuda recebida.

O trabalho feito pelo SASF no seu entorno é muito mais amplo do que aqui foi descrito, o projeto tem um vínculo direto com os moradores da comunidade onde fica, nas visitas domiciliares eles caminham comprimentando as pessoas, percebem que o seu acolhimento e escuta inicial impactam todos que passam ali, as reuniões socioeducativas, as oficinas e ações no território criam um vínculo direto com quem mais precisa. Projetos como esse entendem o seu território como uma extensão de seu trabalho, existe uma troca muito honesta com os moradores da região, Raphael Farias que é Coordenador do SASF Chico Mendes relembrou que Dona Marleide foi sua primeira atendida, isso lá trás quando ainda era um técnico e revelou que “Demos auxílio para ela de cesta básica e nos preocupamos muito com sua saúde, concomitante a isso fizemos um trabalho com a Deusivania, uma vizinha da Dona Marleide que ajuda ela bastante, as duas recebem o benefício na mesma data então vão juntas, além de terem criado uma amizade muito bonita“.

Dona Marleide é mais um caso de vulnerabilidade social, uma senhora de 59 anos que vive em um quarto de menos de 20m², que tem seis filhos mas só recebe ajuda de um órgão público revela o quanto ainda temos que avançar em uma rede de proteção e efetivação de politicas públicas.


O trabalho feito pelo SASF é muito mais amplo do que essa história pode contar, mas até aqui podemos ter a certeza de que o serviço é efetivo e necessário, quantas Donas Marleides a gente ainda vai ver por aí?


O projeto SASF Chico Mendes, está localizado na Rua Canção do Exílio nº 210 - Jd. São Saverio.

Atendimento de Segunda-feira à Sexta-feira das 08h00 às 18h00

Telefone: (11) 2083-8192

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