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  • UNAS Heliópolis

Jovem pesquisadora da UNAS compõe grupo de transição do Governo Lula


Sabrina Santos, 22 anos, é pesquisadora do projeto da UNAS, Observatório De Olho Na Quebrada e estudante de Ciências Econômicas e Políticas Públicas pela UFABC. Estava em Minas Gerais quando foi informada que iria compor o grupo de trabalho de juventude no governo de transição para 2023.

O informe aconteceu apenas quarenta minutos antes do anúncio oficial do vice-presidente eleito Geraldo Alckmin. "Eu não esperava que isso acontecesse e foi uma grata surpresa", relata. Sabrina compõe um trabalho territorial importante em Heliópolis e região, sendo pesquisadora do Observatório De Olho na Quebrada, projeto realizado pela UNAS com financiamento da Open Society Foundations, promovendo levantamento e interpretações de dados que fogem das mídias tradicionais.


Para Sabrina. "Qualquer ação que consiga trazer à tona a discussão dentro das mídias, do poder público, é algo que é muito notável, principalmente no âmbito da juventude, que foi tão descaracterizada nos últimos tempos."


Está é a primeira vez que Heliópolis e Região conta com um membro na equipe de transição do governo federal, podendo levar questões reais sobre a juventude periférica e não a distorção do que é a realidade na maior favela de São Paulo. "Estar ali é algo fantástico, me considero muito honrada por causa disso, por levar a voz de Heliópolis, das discussões que a gente tem aqui e é preciso extrapolar, as favelas têm questões muito específicas de suas juventudes."


Filha de mãe pernambucana e pai baiano e pai que vieram em busca de melhores condições de vida, Sabrina viveu uma vida excluída dos direitos mais básicos e nas margens da precariedade, mas sempre foi estimulada pelos pais para persistir nos estudos, uma vez que eles não tiveram esta oportunidade. Foi a vivência e os estudos que levou ao questionamento sobre as condições que sua família vivia e o entendimento da importância dos movimentos sociais e da luta por garantias de direitos. "A minha entrada na faculdade foi permeada por essa questão de querer uma mudança social, para o meu bairro e para os bairros que convivia" conta Sabrina. "Eu luto hoje para que as pessoas tenham essa garantia de direitos básicos e depois desses, vem a questão delas terem qualidade de vida, delas poderem usufruir de cultura e de lazer."


Sabrina espera levar a experiência de sua vivência na UNAS e em Heliópolis para compor os trabalhos da equipe de transição do governo Lula. "Dentro do Observatório a gente convive com pessoas que são diversamente "racializadas", com pessoas que, apesar de ter a mesma origem territorial, são permeadas por questões de idade, de gênero, então você percebe todo dia um obstáculo novo a ser enfrentado, você aprende os desafios que as pessoas enfrentam e acho que essa é a principal lição que levo para o grupo de trabalho."

Sabrina e Lula juntos, em visita do então ex-presidente à Favela de Heliópolis em Abril de 2022

Compor a equipe de transição do governo pareceu algo inimaginável para uma jovem negra e periférica. "A gente sempre acredita que para adentrar nesses espaços você precisa de uma formação muito grande, o que não é mentira, você precisa de um conhecimento técnico muito grande e, até o momento, a gente acreditava que a experiência que havia sido acumulada aqui dentro [UNAS] não seria suficiente." Mas a nomeação para o GT de Juventudes foi uma epifania para Sabrina compreender que viver em território periférico é, por si só, a própria experiência. "É essa experiência que precisa estar lá no governo, a experiência de viver numa favela e saber quais os problemas que aqui acontecem."

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