Jiu-Jitsu voluntário muda vidas na Favela do Boqueirão

“Estou buscando que eles vivenciem a experiência não importando se vencem ou se perdem, o importante é ali mostrar o respeito, lutar com vontade e ter a disciplina."


Em busca de experiências, Felipe Granado e Sá, de 33 anos, morador do Bosque da Saúde mudou sua vida e a de muitos quando decidiu dar aulas gratuitas de Jiu-Jitsu para diversas crianças da favela do Boqueirão. A atitude do fisioterapeuta levou a arte marcial para quem não tinha acesso por questões sociais ou por questões econômicas, gerando inúmeros benefícios aos seus alunos.


Felipe tinha 2 anos de faixa preta, sendo mais de 20 anos praticando Jiu-Jitsu quando começou a dar aulas, e mesmo tendo alguns alunos particulares, ele queria contribuir com a sociedade e compartilhar seu conhecimento com quem não tinha acesso. Foi então que decidiu dar aulas de forma voluntaria, e isso se aconteceu de uma maneira inusitada: “Estava passando de carro no trajeto que faço rotineiramente e a placa do CCA me chamou a atenção, fiz o retorno e parei em frente. Quando li que era um lugar de fortalecimento de vínculo, tive que entrar pra saber do que se tratava.” Contou Felipe, animado por relembrar como conheceu o projeto.

Lá no CCA Izaura Maria da Conceição, que fica na Favela do Boqueirão, Felipe conheceu Patrícia Ramos, 42 anos, Gerente de serviço do CCA, que lhe apresentou o projeto, as atividades, a quantidade de beneficiários e a importância do projeto para o território, então o Professor de prontidão não recuou ao mostrar sua vontade de dar aulas no local “Marcamos o início das aulas para 1 mês depois, mas a pandemia nos fez adiar em 1 ano e 5 meses.”, disse Felipe. Esse período fez com que o educador buscasse mais conhecimento de trabalho em grupo e modelos que já haviam dado certo.


O projeto nasceu, com 20 crianças e quase nada de material, mas com muito entusiasmo, foi mobilizando pessoas ao redor gerando as doações de kimonos e de tatames permitindo que pudessem aprimorar ainda mais os treinamentos das crianças. Hoje o projeto tem 90 alunos, alguns deles já competiram em campeonatos tendo um desempenho muito bom, mesmo com menos de um ano de atividades com as crianças, “Nesses primeiros campeonatos eu não estou buscando resultados, estou buscando que eles vivenciem a experiência não importando se vencem ou se perdem, o importante é ali mostrar o respeito, lutar com vontade e ter a disciplina de se preparar pro campeonato.” Contou o Professor, que ressaltou que “A meta agora é levar mais crianças para os campeonatos, para elas vivenciarem os desafios e com o tempo levar mais medalhas para a equipe, por mais que as medalhas sejam individuais é fruto de um trabalho em equipe, porque sozinho ninguém consegue treinar Jiu-Jitsu.”

Patrícia que está no projeto há 09 anos, destacou que “Hoje vejo quanto o esporte é essencial e como o vínculo que ele promove é importante para as crianças e famílias”, pois as oficinas oferecidas pelo Felipe logo encantaram as crianças mostrando o comprometimento do Jiu-Jitsu já que em algumas aulas aos finais de semana todas as crianças frequentam. Reforçou também as regras e limites trazidos pelo esporte trabalhadas pelo Fisioterapeuta no imaginário infantil, percebendo que as cobranças do tatame são refletidas em suas vidas no geral “A questão comportamental das crianças foi mudando ao decorrer das aulas por toda a questão que o Jiu-Jitsu traz, e aí vemos a importância que isso faz na vida das crianças, como nos campeonatos onde são reconhecidas e de ganham troféus lutando com outras crianças em outros espaços”.

O trabalho com o jiu-jítsu, que hoje, é o esporte individual que mais cresce no país: possui cerca de 550 mil praticantes, com 2 500 estabelecimentos de ensino somente nas grandes capitais não pode parar. O trabalho de Felipe continua atingindo diversas vidas diariamente na Favela do Boqueirão que fica num ponto equidistante entre as rodovias Imigrantes e Anchieta, no Jardim da Saúde. Para contribuir com este e outros projetos entre em contato com projetos@unas.org.br.

 

O CCA Izaura Maria da Conceição é um projeto desenvolvido pela UNAS Heliópolis e Região em convênio com a Prefeitura da Cidade de São Paulo por meio da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social.

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