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  • Escrito por Wallace França | Editor Douglas Cavalcante

Foliópolis: a festa que resiste, onde crianças e adolescentes são protagonistas da folia

O Carnaval de 2024 já começou em diversas cidades do Brasil com toda sua diversidade de ritmos, fantasias e as muitas formas de celebrar a maior festa popular do país. Em São Paulo, a folia está concentrada nas ruas, que transformou a cidade em um grande polo dessa prática, que ganhou forças a partir do ano de 2013, sendo considerado em 2014 como Patrimônio Cultural pelo município. Porém essa festa, que se tornou um verdadeiro investimento para empresas, nesse ano já contabilizou o cancelamento de 129 blocos de rua por uma falta de organização da gestão municipal na distribuição dos investimentos e o pouco diálogo para solução desses impasses juntos aos blocos de rua, o que desmotivou e inviabilizou uma serie de grupos, na sua maioria da periferia, para realização dessa importante celebração da cultura popular brasileira.



Mesmo não estando na rota de investimentos dos blocos carnavalescos e na contramão das atenções do poder público, surge o Foliópolis, que de maneira genuína e muito simples, busca o resgate e disseminação da cultura brasileira na democratização do acesso à cultura. Desde de 2010 o bloco é realizado em Heliópolis e na região de atuação da UNAS, com o objetivo de exaltar a diversidade do Carnaval com a participação e o protagonismo de crianças e adolescentes, abrilhantando ainda mais essa festa. José Genário Pereira, líder comunitário e um dos idealizadores dessa festa, nos conta as motivações para colocar esse projeto em prática. “A ideia de realizar um bloco de rua com as crianças e adolescentes surgiu através de uma inspiradora conversa com Fernando Alabê, percussionista engajado na cultura popular brasileira e na cultura afro, onde destacamos a necessidade de ter uma atividade cultural que ocupasse as ruas e que envolvesse a comunidade. Compartilhamos a ideia com o projeto Lata da Favela da UNAS e com a juventude, onde todos abraçaram o projeto, envolvendo inclusive a Escola Campos Sales e o antigo Centro Educativo Heliópolis. O objetivo principal do Foliópolis é valorizar a cultura popular, proporcionando a participação do consumo dessa cultura, mas conscientizar os jovens e as crianças que eles se reconheçam como agentes produtores de cultura. Heliópolis tem mais de 220 mil habitantes, com uma diversidade muito grande e são poucas opções que as pessoas tem de cultura. Temos o forró, as rodas de samba e também os bailes funks, mas precisamos criar e fortalecer ações como o Foliópolis que expande a nossa cultura.”


Através da realização do Foliópolis, outras regiões de atuação também levaram o bloco para rua como no Jardim Savério com o Quarteirão da Folia, o Folistela no Jardim Maristela, o Boqueirão da Folia na Favela do Boqueirão e o Água Funda Folia na Cursino, onde todos eles surgem desse processo de ocupação dos territórios como espaço cultural através de estímulos dos processos pedagógicos realizados dentro dos projetos. Taina Foge Jacintho (29), professora do CEI Paulo Freire, ex-educanda dos projetos CCA Parceiros e Lata da Favela, destaca sua experiência nas diversas frentes que já atuou. “Quando eu ainda participava do projeto Jovens Alconscientes tive a oportunidade de conhecer o Foliópolis e ajudar na organização. Com a criação do Lata da Favela, também comecei a participar da percussão dessa grande folia, o que me deixava muito emocionada. Era muito legal ensaiar, tocar e sair nas ruas vendo toda aquela animação das crianças e de toda comunidade, onde as pessoas dançavam, se empolgavam com o ritmo e energia. As próprias crianças queriam também fazer parte da percussão e a gente deixava tornando tudo mais divertido. Depois de alguns anos me tornei Educadora Social do CCA Parceiros que também integrava o Foliópolis e durante a preparação, nas rodas de conversa, o tema Carnaval e toda a história cultural era trabalhada com eles com vídeos, imagens, inclusive a história do próprio Foliópolis era exposta. Algumas crianças começaram a compor o grupo da percussão, outros ficavam com a confecção de abadas, máscaras e cartazes. Foram 9 anos vivendo essa festa pelo CCA e agora estou como professora da creche o que muda a dinâmica de atuação do tema, mas ainda levo comigo essa alegria de celebrar mesmo não saindo nas ruas com os pequenos, fazendo nossa festa aqui mesmo com todos fantasiados e muito animados, brincando muito com toda essa folia resgatando a cultura do carnaval brasileiro para as nossas crianças.” 


Foto: Taina Foge durante ensaio de percussão


O Foliópolis faz parte do calendário da UNAS e dentro dos planejamentos semestrais dos projetos é contemplado essa atividade, onde através de rodas de conversas, brincadeiras, dinâmicas e momentos de recreação, a abordagem é realizada, incluindo a inserção de campanhas com cartazes e folhetos nas temáticas contra os abusos característicos desse período e de assuntos relevantes das diversas realidades da comunidade como racismo, combate à dengue e a Covid, promovendo uma grande conscientização dentre e fora do bloco. Essa abordagem acaba sendo direcionada não apenas para os atendidos, mas envolve toda equipe de trabalhadores como nos conta Naldete Rosa Pereira, conhecida como Naninha que já esteve nas diversas áreas como cozinheira, educadora social, coordenadora pedagógica e agora Gestora do CCA Mina.

Foto: Crianças e Adolescentes ocupam às ruas de Heliópolis durante o Foliópolis


“Marchinhas, as batucadas do CCA’s, confetes e muita diversão, marcam minhas lembranças do Foliópolis desde que eu entrei nos projetos. A alegria é contagiante da comunidade estando junto com a gente, onde mesmo crianças, adolescentes que já não estão mais nos projetos, participam dessa festa, somando forças com os alunos das escolas do entorno que também participam de alguma forma. As agentes de saúde também participam com a distribuição de informativos, tornando essa festa ainda maior. Mas antes do bloco sair para rua, temos essa preparação de estudo e maior aprofundamento das raízes dessa celebração, buscando maior conhecimento dos diversos tipos de comemoração e aproximando esses contextos para todos. Boneco de Olinda, Frevo, Roda de Samba são alguns exemplos de referência para as atividades pedagógicas realizadas com os atendidos e também com toda equipe do projeto. A UNAS incluindo na sua agenda institucional e os projetos dando continuidade dessa atividade, nos fortalece e dá o devido protagonismo para as crianças e adolescentes nessa grande festa da cultura popular brasileira."

 

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