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  • UNAS Heliópolis

Educar é um ato de amor e resistência

A trajetória da Educadora Solange, que viu a educação transformar sua vida


O direito a educação é um direito humano e universal, direito que é negado a muitos que não tiveram a oportunidade de estudar na idade certa ou que tiveram que fazer “escolhas” difíceis como ter que parar de estudar para lutar por outros direitos essenciais como a moradia e a alimentação. Será mesmo que isso é uma escolha? Obviamente não. É por isso que é preciso lutar por esses direitos fundamentais e para que nenhum deles seja negligenciado. Neste mês em que é celebrado o dia dos professores, gostaríamos de contar a história da Solange Santos, professora do Centro de Educação Infantil Margarida Maria Alves.


Solange trabalhava em um mercado como operadora de caixa, porém ela fazia mais serviços de limpeza do que a função para a qual foi contratada. Descontente com esta situação, Solange decidiu procurar outra oportunidade de emprego. Entregou diversos currículos, porém como ainda trabalhava no mercado não conseguia responder o telefone e não ficava sabendo quando uma oportunidade surgia.


Solange decidiu se matricular no curso de pedagogia. Entretanto, teve que trancar a matrícula do curso assim que percebeu que o histórico do Ensino Médio não estava com ela. Devido ao fechamento da escola em que concluiu o ensino médio, Solange foi a Diretoria de Ensino para resolver sua situação, porém lhe disseram que seria necessário fazer o Ensino Médio novamente. Preste a fazer 40 anos de idade Solange se matriculou na Educação de Jovens e Adultos.

“Em 2015, eu terminei (o Ensino Médio), fiz a matrícula de novo no curso de pedagoga. Depois do primeiro semestre na faculdade tive que sair novamente do curso pois fiquei desempregada e meu marido me falou: ou você estuda ou a gente come....” Relembra Solange.


Casos como estes poderiam ser evitados com políticas públicas de acesso e permanência no ensino superior como também a EJA. Há mais de 10 anos a lei 12.711, conhecida como lei de cotas foi promulgada e sancionada pela ex-presidenta Dilma Roussef. Essa política afirmativa garante que 50% das vagas nas universidades e instituições federais sejam destinadas a pretos, pardos, indígenas, pessoas com deficiência e estudantes de escola pública. Podemos também destacar o ProUni, criado em 2004 no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em que oferta bolsa integrais de 50% do valor da mensalidade de acordo com o critério de uma nota mínima no Enem e a renda familiar de até 3 salários mínimos para bolsas parciais e 1,5 salários mínimos para bolsas integrais.


Apesar dos avanços no acesso ao ensino superior é preciso avançar na permanência dos alunos até a conclusão do curso, já que somente o ingresso não garante que o aluno permaneça até o final e uma eventual desistência não é culpa do indivíduo, já que na maioria das vezes, gostaria de continuar estudando, porém há outros fatores que o impedem de estudar. Solange é um caso de resistência e luta já que entendeu a necessidade de libertação como afirma Paulo Freire “Libertação a que não chegarão por acaso, mas pela práxis de sua busca; pelo conhecimento e reconhecimento da necessidade de lutar por ela. Luta que pela finalidade que lhe derem os oprimidos, será um ato de amor...”


O marido de Solange também perdeu o emprego e Solange precisou catar reciclagem na rua para se manter “Eu juntava reciclados a noite, e tinha minha filha mais velha, eu não sabia mais o que fazer e queria estudar. Eu e meu marido pagávamos um curso profissionalizante pra nossa filha mais velha, decidimos priorizar o curso e tive que trancar a faculdade, foi quando consegui entrar na UNAS para trabalhar no apoio, quando eu cheguei lá falei: Meu marido não tem condições de me ajudar e eu não sei mais o que fazer e quero muito estudar”. A UNAS então deu uma oportunidade no quadro de apoio e Solange se matriculou pela terceira vez no curso de pedagogia, agora com bolsa de estudos por meio de uma parceria da organização com uma Universidade, na época.

“Em 2019 apareceu uma vaga de Educadora em um projeto social da UNAS o CCA Pam, me convidaram pra essa vaga, aí fiquei cinco meses até a pessoa que eu estava cobrindo voltar de licença, depois voltei para o quadro de apoio e em 2022 surgiu uma vaga de auxiliar de classe, nisso eu já estava terminando a faculdade, no projeto onde eu trabalhava me incentivaram a tentar essa vaga e eu então fui e fiquei até que no ano que eu me formei apareceu a vaga de Professora de Educação Infantil”.

Para que a Solange conseguisse concluir o ensino superior e conquistar o cargo que ocupa hoje, muitas pessoas a ajudaram seja de forma financeira ou com o apoio e motivação segundo relato da Educadora. Um dos princípios do Bairro Educador é que tudo passa pela Educação, isso implica que essa educação seja feita no coletivo e não de forma individualizada pois se a Educação não for de todos, ela não é de ninguém.

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