Dificuldades de acesso à internet prejudica moradores de Heliópolis durante a pandemia

A INTERNET É UM DIREITO HUMANO


Desde 2011 a Organização das Nações Unidas (ONU) reconhece a internet como um direito humano. Com o início da  pandemia e a necessidade de distanciamento físico, esse direito fica ainda mais evidente. durante a quarentena a internet permite as pessoas: trabalhar, estudar e se comunicar, mesmo o acesso a serviços públicos, como o auxílio emergencial, é online.

 

Já imaginou ficar sem internet na quarentena? Como ficar tanto tempo em casa sem poder conversar com seus amigos por vídeo? Ou não conseguir assistir seus filmes e séries favoritas?

 

Em Heliópolis e nas favelas em geral essa é a realidade. Na pesquisa "Acesso à Internet na Pandemia" apresentamos as dificuldades de acesso a internet em Heliópolis e como isso impacta negativamente o dia a dia da comunidade.

 

MAPA DOS SERVIÇOS DE INTERNET EM HELIÓPOLIS

 

Mesmo antes da pandemia já era difícil contratar um serviço de internet em Heliópolis. Pois as grandes empresas não atendem nosso bairro de forma adequada. 


Para evidenciar essa diferença realizamos, em outubro de 2019, uma pesquisa simples: mapeamos oito CEPs distribuídos por Heliópolis e ligamos para as principais operadoras de internet para verificar a disponibilidade de serviço. 


A partir desses oitos CEPs traçamos um raio de 500m para estimar a cobertura de atendimento no território de Heliópolis.

 

 

A partir dos mapas provamos que as grandes empresas de internet não oferecem suas melhores soluções as famílias de Heliópolis. Conexões mais velozes com fibra ótica, via de regra, não chegam na favela.

 

Os serviços que existem já operam no limite, sem viabilidade para outras famílias que queiram contratar um pacote de internet. A única alternativa para obter uma internet rápida e de boa qualidade é através de serviços via satélite e rádio, que apresentam preços mais elevados, distantes da realidade de quem mora em favela.

 

Podemos afirmar ainda que a forma como as grandes empresas de internet atendem as favelas não é adequada.

 

DIFICULDADES DE ACESSO À INTERNET NA PANDEMIA

 

O acesso precário à internet na quebrada não é novidade. as famílias que tem condições contratam os serviços de internet prestado por pequenas empresas ou lan houses locais. Quem não tem condição de contratar esses serviços depende de pacotes de dados móveis (internet via celular), dos telecentros e da única praça wi-fi do bairro, que fica no CEU Heliópolis. 


Com a pandemia o acesso à internet ficou ainda mais difícil, principalmente para as famílias mais vulneráveis. quem não tem condição de pagar um serviço privado para sua residência ficou sem acessar à internet, ou com acesso bastante prejudicado já que os pacotes via celular garantem acesso ilimitado somente para redes sociais (facebook, instagram, whatsapp).

Durante a pandemia, sem acesso a internet as famílias de Heliópolis: Não conseguem solicitar e utilizar o auxílio emergencial, sendo obrigadas a se deslocar para as agências caixa econômica federal; vem seus filhos excluídos das atividades escolares online; ficam impedidos de acessar serviços públicos, como o portal do microempreendedor; ficam excluídas de informações pertinentes a sua realidade.


Não ter acesso a internet é uma violação dos direitos humanos, durante a pandemia essa exclusão aumenta ainda mais a situação de vulnerabilidade. mais uma vez constatamos que as famílias mais pobres são também as mais impactadas pelos efeitos do coronavírus.


A situação de emergência exige que sejam adotadas medidas urgentes para garantir o acesso a internet de forma ampla as famílias vulneráveis.

NOSSAS PROPOSTAS

 

A proposta do Observatório De Olho Na Quebrada é a implementação de uma rede de wi-fi comunitária em Heliópolis. Uma conexão gratuita e que não comercialize os dados dos usuários. Além do acesso a todo o conteúdo disponível na web, uma rede comunitária contem ferramentas que facilitam o acesso a informações sobre o bairro e proporcionam espaços online de participação social. ou seja, amplia a possibilidade de participação de todos os moradores de Heliópolis nas discussões sobre os problemas locais e suas soluções.

 

Uma rede comunitária também ajudaria no enfrentamento local a pandemia, por exemplo: com a difusão de orientações sobre prevenção; informações atualizadas sobre os hospitais da região; mapeamento dos infectados; e levantamento das necessidades da população.

 

 

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