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  • Escrito por Wallace França | Editor Douglas Cavalcante

Coletivo de Mulheres em Heliópolis transforma confeitaria em renda familiar

O trabalho realizado por muitos empreendedores nas periferias ganhou força principalmente durante o período da pandemia e foi justamente nesse delicado momento, de grandes desafios e do aumento do desemprego, que muitas pessoas encontraram nesse seguimento, uma maneira de restabelecer a renda familiar, potencializando a economia circular e criativa. Muito antes desse crescimento do empreendedorismo periférico, a UNAS Heliópolis e Região já atuava na formação e mapeamento na busca por projetos e ações que pudessem fortalecer esse processo de geração de renda. Em 2020, nasce o projeto Chocolateiras de Heliópolis com o objetivo de atingir demandas muito importantes que durante a Páscoa encontram no chocolate, uma fonte de solidariedade e geração de renda.



Unir mulheres que já atuam na confeitaria, formá-las e buscar apoiadores para que a matéria prima e a mão de obra possam ser custeadas, define o formado da campanha Páscoa Solidária que prevê a doação de toda a produção para crianças atendidas pelos projetos da UNAS. Ângela São José, ponto focal das chocolateiras, destaca a importância de unir a comunidade, os parceiros, a UNAS e o coletivo de mulheres na consolidação desse trabalho que potencializa a economia circular, criativa e solidária, que ganhou um novo formato e que prevê tantas outras possibilidades.


“O projeto nasceu há 4 anos onde idealizamos o Coletivo das Chocolateiras de Heliópolis que reúne e mais que isso, une mulheres confeiteiras experientes e também as que estão em formação, consolidando um trabalho coletivo, onde essas mulheres entenderam a importância de estarem juntas na produção, na distribuição de tarefas e durante todo o processo que envolve essa importante geração de renda, tendo assim uma melhor qualidade de vida a partir desse trabalho. Esse processo está dentro dos princípios da economia solidária que trata o bem viver das pessoas e não apenas o ter. Isso ficou muito claro para esse coletivo e é muito interessante observar o trabalho sendo feito de maneira organizada, buscando uma melhor comunicação, pensando sempre em cada habilidade que potencializa o trabalho e o resultado esperado. Uma verdadeira linha de produção onde elas dividem conhecimento, experiências e suas vivências, o que estabelece e fortalece os vínculos entre esse coletivo de mulheres.”



Esse trabalho é um grande exemplo para outras comunidades e para outras mulheres que hoje encontram-se em um período de vulnerabilidade financeira. Assim como acontece na UNAS que tem esse olhar para o todo, na busca de melhorias e da dignidade humana, a união e o fortalecimento de saberes via coletivo, transforma vidas, tornando-se um dos maiores ganhos das Chocolateiras. Osvalnice da Silva Santos (52), moradora de Heliópolis iniciou o seu trabalho como confeiteira fazendo os bolos das suas filhas e vizinhos de maneira muito caseira. Com o aumento dos pedidos, começou a vender também trufas e ovos de chocolate no entorno da sua casa. Algum tempo depois, sentiu a necessidade de aperfeiçoar suas técnicas através de formações e encontrou nesse processo, uma maneira de aumentar sua renda.



“Fiz diversos cursos de confeitaria oferecidos aqui na comunidade para melhorar minhas técnicas e foi quando uma amiga me falou do curso da UNAS e juntas participamos da formação pela Harald com a Chefe Daniela. Eu aprendi muito com essa oportunidade, muita sabedoria e muitos novos conhecimentos bem mais do que eu sabia e é isso que eu procuro na minha vida e melhorando o meu trabalho. Quando surgiu a chance de participar das Chocolateiras agradeci muito a Deus e agradeci essa forma de participar ajudando a comunidade com as doações e ainda poder ter minha renda de casa impactada. Esse dinheiro será muito importante porque tenho muitos planos e acima de tudo, poder colocar tanto amor na produção desses ovos de chocolate para tantas crianças que vão receber esse presente de Páscoa. Não tem coisa melhor do que fazer uma criança feliz, trabalhando em equipe e respeitando e aprendendo juntas. Saio diferente, grata e muito feliz dessa linda campanha.”


Nos anos anteriores, a confecção dos ovos de chocolate acontecia na casa das participantes, mas esse ano um novo formato foi incorporado com a fabricação coletiva em um único espaço, onde as tarefas foram divididas em uma verdadeira linha de produção, onde a conciliação das diversas formas de trabalho e a diversidade de personalidades distintas, foram somados na atuação coletiva, estabelecendo uma logística própria, unindo todas as 15 mulheres, resultando em uma produção de alta qualidade, mantendo padrões de qualidade, estética e com uma identidade própria das chocolateiras. Zilda Rodrigues Soares (49), mãe de 4 filhos começou a atuar no ramo da confeitaria há 7 anos depois de enfrentar muita dificuldade de trabalhar de maneira formal no mercado de trabalho e encontrou na confeitaria uma forma de gerar renda para sua família.



“Comecei na confeitaria após ter sido recusada várias vezes para trabalhar em regime CLT, tenho 4 filhos e minha rotina de mãe era um empecilho para o mercado de trabalho e eu precisava levar renda para minha casa por que a família é grande, foi assim que comecei a aprimorar o meu gosto pela cozinha onde comecei a minha jornada de formação na confeitaria. A primeira oportunidade foi de um curso de empreendedorismo pela Biblioteca Comunitária de Heliópolis onde aprendi a precificar, calcular o custo e destacar o meu salário dentro dos lucros obtidos. Encontrei dificuldade em oferecer os meus produtos no começo, mas depois de algum tempo, consegui a melhor minha habilidade de vender os meus quitutes através das feiras de empreendedorismo que participava. Os parceiros e a demais pessoas que contribuem com o nosso coletivo são muito importantes porque fazem com que pequenos empreendedores comecem a ser vistos e valorizados. Aqui na periferia temos excelentes profissionais e quando as grandes empresas começam a nos enxergar, a gente ganha um mundo de possibilidades. Precisamos de muitos outros recursos como equipamentos, ferramentas e mais formações. Com essa renda vou sair do sufoco, onde vou conseguir custear minhas contas e só posso agradecer.”



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