VIII Seminário Heliópolis, Bairro Educador

VIII Seminário Heliópolis, Bairro Educador

"Para Organizar a Esperança"

“Aprender é um ato revolucionário”

(Paulo Freire)

Heliópolis vem se constituindo como um importante centro de desenvolvimento de concepções e práticas pedagógicas inovadoras, que inspiram muitas outras experiências no Brasil e no mundo. A partir da integração entre escola e comunidade, iniciada há duas décadas pela EMEF Presidente Campos Salles e pela UNAS, o Bairro Educador de Heliópolis vem se expandindo. Atualmente essa rede articulada envolve também outras escolas, projetos e movimentos sociais, em torno de cinco princípios comuns: tudo passa pela educação, a escola e projetos como centros de lideranças, autonomia, responsabilidade e solidariedade.


O CEU Heliópolis Professora Arlete Persoli é uma construção do movimento social que se fortalece a cada dia neste território. A participação da comunidade na luta pela efetivação dos direitos das pessoas tornou possível a proposição desse espaço ao poder público. O CEU Heliópolis nasceu da luta popular e existe para fortalecê-la.


Entretanto nos últimos anos o Brasil vem enfrentando um difícil retrocesso político que tem como primeira consequência a perda de direitos da classe trabalhadora. A violência tem se intensificado nas ruas - contra as mulheres, contra os jovens negros, contras as crianças e adolescentes, contra a comunidade LGBTI+. A miséria e a fome têm voltado a nos assombrar. E o que nós, educadores, temos a ver com isso?


Precisamos, mais do que nunca, difundir a nossa visão sobre o papel da educação na afirmação da democracia. Como contribuir para a formação integral de sujeitos que têm por direito o pleno exercício da cidadania? Trazer as pautas dos movimentos populares para o nosso debate contribui para impedirmos o esvaziamento dos espaços de participação social e também para promovermos, entre nós, aprendizagens que possam realmente significar a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.


Que o VIII Seminário Heliópolis Bairro Educador seja não só um espaço de reflexão, mas especialmente um espaço de resistência e de organização da esperança.


Abertura - Quinta-feira (27/09) às 19:00hs - Rua da Mina, nº 38 - Quadra da UNAS

Mesas de debate e atividades - Sexta-feira (28/09) das 09hs às 17hs - Estrada das Lágrimas, nº 2385

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PROGRAMAÇÃO COMPLETA


Atividade 1 – Mesa de Debate: Inovação e autonomia na escola pública


Há anos a comunidade de Heliópolis vem conquistando autonomia para desenvolver um projeto político pedagógico inovador. A comunhão entre a principal associação de moradores do bairro (a UNAS) e a EMEF Pres. Campos Salles resultou na construção de uma comunidade de aprendizagem articulada no território: o Bairro Educador de Heliópolis. Entretanto sabemos que precisamos avançar permanentemente na construção da nossa autonomia e encontrar respostas para as nossas demandas. É possível pensar em políticas públicas que garantam cada vez mais autonomia às comunidades de aprendizagem, para que estas possam inovar e formular seus processos educacionais sintonizados com o século XXI? O que afinal significa inovação? De que forma o poder público pode participar da construção de uma rede de escolas autônomas?


Convidados

Alexandre Schneider - Secretário Municipal de Educação da cidade de São Paulo

Braz Nogueira - Educador, diretor da UNAS e ex-diretor da EMEF Pres. Campos Salles

Amélia Arrabal – Coordenadora Pedagógica da EMEF Pres. Campos Salles

Helena Singer - Socióloga, líder de juventude para a América Latina da Ashoka.

Valdo José Cavallet – eNeGenCiano por identidade, educador por paixão, terráqueo por sentimento e por compromisso. Estuda os humanos em todas as suas dimensões. Atua no projeto de Educação Emancipatória da UFPR Litoral desde a sua concepção até os dias lunares atuais. Identificado e compromissado com as lutas e frentes populares.


Mediação

Marília de Santis – diretora da UNAS e gestora do CEU Heliópolis Profª Arlete Persoli


Local: Sala Multiuso – Torre da Cidadania



Atividade 2 – Debate a partir da apresentação da Tese: Os meninos de Heliópolis e Região: O Ser e Fazer de adolescentes em conflito com a lei e a sintomática criminal


Ao longo de cinco anos de trabalhos realizados nos MSEs o pesquisador realizou uma pesquisa envolvendo 70 adolescentes residentes em Heliópolis e região, que se encontravam em conflito com a lei. A partir da pergunta “quais os motivos que levaram esses jovens para a prática infracional e quais as perspectivas deles em relação ao futuro?”, e no intuito de chegar a uma resposta a essas questões, foram utilizadas algumas técnicas projetivas para coletar dados com os adolescentes, como por exemplo, o desenho estória e o discurso do sujeito coletivo. Os resultados foram bem impactantes.


Pesquisador

Ricardo Rentes - Psicólogo de orientação Psicanalítica, Especialista em Saúde Mental e Justiça pelo Hospital de Custódia do complexo Juquery, Especialista em Psicopatologia e Saúde Pública pela USP, Mestre em Ciências Humanas, Sociais e Criminologia pela UFP do Porto em Portugal. Professor Orientador do Curso de Especialização em Políticas Públicas e Socioeducação na Escola Nacional de Socioeducação - ENS Brasilia-DF, Docente do Curso de Especialização em Saúde Mental, Stress e Dependência Química pela FAPSS. Supervisor clínico/institucional em serviços de saúde mental e assistência social.


Debatedora

Antônia Clene Alves – Assistente Social, moradora de Heliópolis e liderança comunitária, gestora do Serviço de Medida sócio-educativo parque Bristol (MSE-Pq Bristol/UNAS)


Mediação

Mairton Bezerra – Psicólogo, gestor do Núcleo de Proteção Jurídico-social e Apoio Psicológico (NPJ/UNAS) e militante do Movimento LGBT da UNAS.


Local: Sala da UNICEU Heliópolis – Torre da Cidadania


Atividade 3 – Mesa de debate: Reformas educacionais: avanços ou retrocessos?


O Brasil pós-golpe tem vivido um intenso processo de reformas impopulares implementadas com pouca ou nenhuma participação da sociedade civil. A base nacional comum curricular e a reforma do ensino médio fazem parte desse conjunto de normativas que devem ser implementadas em breve. Como isso tem sido entendido pelos educadores brasileiros? Quais 0s principais aspectos políticos de tais reformas? Quais os possíveis impactos destas políticas educacionais?


Convidados

Natacha Costa - Psicóloga formada pela PUC-SP, Natacha é diretora geral da Associação Cidade Escola Aprendiz desde 2006. Coordena o Centro de Referencias em Educação Integral Além disso, faz parte do Programa Líderes Transformadores da Educação da Fundação SM que reúne educadores de 9 países da América Latina e Espanha e compõe a comunidade ativadora do Programa Escolas Transformadoras no Brasil (Ashoka/Alana).

Representante da APEOESP (a confirmar)

João Cardoso Palma Filho: Professor Doutor Aposentado da UNESP e ex- Coordenador do fórum estadual de educação, atualmente consultor da APEOESP


Mediação

Fernanda Aparecida Pereira – Pedagoga, Pós Graduada em Educação Inclusiva e coordenadora do Movimento de Mulheres da UNAS.


Local: Auditório da ETEC Heliópolis


Atividade 4 - Mesa de Debate: Discutindo o estado laico no ambiente educativo


Quando discutimos Estado laico, buscamos assegurar a liberdade religiosa de um povo, de maneira que não seja submetido às decisões políticas segundo determinada corrente ou campo religioso. A educação pública deveria assegurar o direito de acesso ao conhecimento plural presente na sociedade. De que maneira resistimos pela liberdade cultural e religiosa como direito? Como a escola pode se constituir enquanto espaço de diálogo plural?


Convidados

Pai Kangamba/ Marcelo Tadeu dos Santos Bastos Gomes - Título Religioso: Tatetu Ria Nkisi Kangambadiama

Padre Bernard Henry

Pastor José Reis

Edson Santos – Professor e filósofo


Mediação

Mércia Ribeiro - Coordenadora do Movimento Fé e Política, diretora da UNAS.


Local: Auditório da Biblioteca CEU Heliópolis Profª Arlete Persoli


Atividade 5 - Mesa de Debate: Direito ao corpo e à vida, pela descriminalização do aborto e contra o feminicídio


O machismo, o sexismo e a violência contra as mulheres, que vinham sendo combatidos durante anos de resistência com políticas públicas efetivas, estão aumentando de forma intensa. Tal aumento é fomentado por grupos defensores “da moral e da família”, que decidem pelo corpo das mulheres ao mesmo tempo em que as matam. Esta mesa pretende dar voz às mulheres e debater o que elas querem de seus corpos e direitos.


Convidadas

Maria Julia Montero - Militante da Marcha Mundial de Mulheres de São Paulo, atualmente acompanha a frente contra criminalização das mulheres e pela legalização do aborto.

Solanje Agda – liderança comunitária, diretora da UNAS, educadora social, membro do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente e do Movimento de Mulheres da UNAS.


Mediadoras

Indira Gabriela - Educadora Social e estudante de Pedagogia na UNICEU Heliópolis

Mariana Maria da Silva - Moradora da Comunidade de Heliópolis, coordenadora do Movimento de Mulheres da UNAS, pedagoga atuante na Educação Infantil, pós graduanda em Alternativas para a Nova Educação pela UFPR.


Local: EMEF Pres. Campos Salles


Atividade 6 – Mesa de Debate: Liberdade ou escravidão? Quem me representa?


O movimento negro da UNAS propõe um espaço de reflexão para juntos pensarmos como está a inserção da população negra nos espaços de decisão e poder, atualmente, no brasil. Como se dá a política racial em nosso país, historicamente falando? Como pensar no privilégio branco dominante sobre a população negra? Como se dá (ou não se dá) o acesso dos afrodescendentes nos poderes judiciário, legislativo e executivo? Como garantir a equidade racial na participação política?


Convidados

João Lindolfo Filho - Músico, radialista e compositor.

Marcos Antônio da Silva (Marquinho) - Educador e Cientista Social, membro do histórico Movimento de Meninos e Meninas de Rua.


Mediadora

Maria Antônia Fulgêncio - Coordenadora do Movimento Negro da UNAS, educadora do MOVA/UNAS e Coordenadora Geral do Cursinho Preparatório para o Vestibulinho da ETEC Heliópolis.


Local: EMEF Pres. Campos Salles



Atividade 7 – Mesa de Debate: Avanços e Retrocessos na implementação das políticas para população LGBTI+


Nos últimos anos, as políticas públicas voltadas à população LGBTI+ na cidade de São Paulo tiveram avanços expressivos, reconhecidos internacionalmente, especialmente no período em que se implantou o programa Transcidadania e os quatro Centros de Cidadania para esta população. Foi uma fase importante de criação de programas e serviços voltados para a inclusão social, a educação e a garantia de direitos. Com o crescimento da intolerância e do preconceito, potencializados por grupos conservadores no poder, a continuação dessas políticas e a garantia por direitos de igualdade encontram-se gravemente ameaçados. Como os espaços educacionais podem se unir aos Movimentos Sociais pela defesa do Estado Democrático de Direito?


Convidadas

Paola Alves de Souza - Mestre em história, Pedagoga do CCLGBTI/Edson Néris, Pesquisadora do estudo Trans*nacional/Santa Casa

Fernanda Nigro - Advogada do Centro de Cidadania LGBTI/Edson Néris, membro atuante do ILADH, Advogada Voluntária no Grupo de Incentivo à Vida (GIV) e Grupo PelaVidda/SP


Mediador

Rodrigo de Assis Gomes Bastos - Assistente de Coordenação do Centro de Cidadania LGBTI+ da Região Sul de SP/UNAS, Ex-conselheiro Municipal de Políticas para LGBTI+ de São Paulo, Integrante do movimento LGBTI+ da UNAS.


Local: EMEF Pres. Campos Salles


Atividade 8 – Mesa de debate: Será que os jovens são mesmos desinteressados? O papel das juventudes nas transformações sociais


Esta mesa de debate, em forma de talk show, pretende promover uma conversa sobre as juventudes e a sociedade. No decorrer da história do Brasil e do mundo, as juventudes tiveram papel essencial nas principais transformações culturais e políticas do último século. No entanto, transgressores por natureza, os jovens são comumente vistos como indisciplinados, desinteressados... Ao mesmo tempo, com frequência a sociedade atribui à juventude o papel de agente da mudança social, de “futuro do país”. Em agosto de 2018, os jovens de Heliópolis se reuniram pela 4ª vez no encontro Chega aí! - Direitos da Juventude e durante os debates concluíram que ainda falta muito para que seus direitos sejam garantidos. Nesse sentido, como pode a educação contribuir com a mobilização e organização das juventudes para a luta pelos seus direitos? Como os jovens podem organizar-se para influir na construção de Políticas Públicas e ocupar os espaços de decisão e participação? Como as culturas juvenis podem contribuir com novas formas de organização e luta popular?


Convidados

Juliane Cruz - Atualmente é graduanda do curso de Licenciatura em Educomunicação da Universidade de São Paulo (USP), educadora do curso de Comunicação e Cidadania do Projeto Redigir e estagiária da Viração, organização da sociedade civil que desenvolve projetos de impacto social por meio da educação, comunicação e mobilização social de adolescentes e jovens.

Gabriel Medina – Psicólogo, ex-coordenador de Políticas Para a Juventude da Cidade de São Paulo e ex-secretário Nacional da Juventude (a confirmar).

Rodrigo C. Francine, Elaine Silva e Daniel Knob - Há oito anos atuam como membros da ASASS - Associação São Miguelense para o Desenvolvimento Sustentável em são Miguel Arcanjo - SP, integram movimentos jovens que culminaram no projeto Cidade Escola por onde já passaram centenas de jovens e famílias hoje buscam a consolidação de seis espaços permanentes para o desenvolvimento humano na cidade: Juventude, Mulher, Criança, Artes, Sustentabilidade e Comunicação.

Igor Nova Safra - MC, beatmaker e videomaker. Educador Social e membro do Fórum de Juventude da UNAS.


Mediação

Elizangela Batista - Moradora de Heliópolis e estudante de Serviço Social. Atualmente trabalha como educadora social em um projeto de prevenção à violência doméstica com crianças e adolescentes da UNAS. Integrante do Fórum da Juventude de Heliópolis/UNAS.


Local: Cinema – CEU Heliópolis


Atividade 9 – Mesa de Debate: Direito à moradia: construindo o Bairro Educador a partir do Direito à Cidade


Vivemos no Brasil violações ao Direito Humano e Constitucional à moradia. A especulação imobiliária segrega a população, o fogo apaga a história das favelas e o poder público precariza os investimentos em políticas habitacionais. Recobrando a memória de luta por moradia em Heliópolis, como podemos nos organizar para resistir a esse processo? O que é direito à cidade e como relacionar esse direito com o papel da educação? Qual a importância de projetos e Políticas Públicas intersetoriais que integrem o Direito à moradia aos demais Direitos Humanos? Como anda a regularização fundiária de favelas e ocupações?


Convidados

Eduardo Cardoso - Coordenador do MSTL - Movimento Sem Teto de Luta

Felipe Moreira - Instituto Pólis

Manoel Otaviano - Diretor da UNAS e Coordenador do Movimento Sem Teto da UNAS

Mario Vieira - Diretor executivo da Habitat para Humanidade Brasil


Mediação

Hugo Fanton – Coordenador Estadual da Central de Movimentos Populares de São Paulo.


Local: EMEF Pres. Campos Salles


Atividade 10 – Mesa de Debate: 50 anos da Pedagogia do Oprimido: MOVA e EJA alimentando a esperança pelo direito humano à educação


A Pedagogia do Oprimido, mais importante obra de Paulo Freire, está completando 50 anos e continua mais relevante do que nunca. As reformas neoliberais atingem a educação em sua autonomia, propondo no lugar do diálogo a cultura do silêncio e da castração da liberdade, contrariando a Constituição e a LDB. Nesse cenário o direito à educação ganha dimensões de “educação bancária”. A Educação de Adultos, inspirada pelos escritos freireanos, é campo de militância pela inclusão social e construção de Políticas Públicas que garantam o Direito Humano à educação. O constante fechamento de salas de EJA sob a justificativa de falta de demanda é algo contestado pela comunidade escolar, indo na contramão da obrigação do poder público de oferecer vagas para essa modalidade. Em tempos de retrocessos abrem-se, também, discussões sobre a implantação da EJA no formato à distância, o que excluiria os alunos e alunas de um dos maiores fomentadores do aprendizado: a convivência. O crescente aumento do número de jovens na EJA é mais um fenômeno que exige novas abordagens. Assim, levaremos para o debate: por que estão sendo fechadas as salas de EJA? Como podemos nos mobilizar pela garantia do direito constitucional à educação? A intenção é fazermos uma ação dialógica a favor de uma pedagogia da esperança.


Convidadas

Iraci Ferreira Leite - Coordenadora do Fórum do MOVA/SP, atuou como professora na Rede Estadual, coordenadora na Rede Municipal e trabalha em vários movimentos populares de educação.

Marisa Romeiro - Coordenadora Pedagógica EMEF Abrão Huck, educadora na luta pela Educação de Jovens e Adultos.


Mediação

Meire Lima - Coordenadora de Projetos Educacionais do CEU Heliópolis Profª Arlete Persoli


Local: EMEF Pres. Campos Salles



ATIVIDADES DO PERÍODO DA TARDE (14h00 às 17h00)