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Rádio Comunitária Heliópolis 25 anos de Resistência

• A Rádio 

 

No dia 08 de Maio de 1992 era criada a Rádio Popular Heliópolis, pela necessidade da UNAS em dialogar com todos os moradores sobre as assembleias e mutirões que aconteciam na favela. Através dos recursos obtidos com a ajuda de padres alemães, que desenvolviam um trabalho na região, foi possível a compra de um equipamento bastante simples. Era o início da Rádio Corneta, como era antes conhecida, pois não passava de alto-falantes espalhados pelos postes da comunidade.

 

Entendendo que a Rádio é um instrumento fundamental de mobilização e organização popular, a UNAS buscou melhorias para esta ferramenta, com mais pessoas participando e programas dos mais diversos conteúdos voltados aos moradores. Em 1997 a antiga rádio corneta vira Rádio Heliópolis modulada na frequência 102,3 FM. Após dois anos a Rádio muda de frequência e passa a ser sintonizada em 97,9 FM e continua levando conteúdo de utilidade pública aos moradores, além de programas informativos e musicais.

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O Fechamento da Rádio

 

Por que nós éramos a única rádio comunitária conhecida que existia em São Paulo. Tinham outras, mas ninguém sabia. Nós existíamos na Rua Da Mina número 38, telefone 2272-9968. Operava na ilegalidade, já atendia estudantes de jornalismo, já saía na imprensa geral, todo mundo vinha aqui. Todos queriam saber que bicho é esse de rádio comunitária. Então nós, começamos a dar palestras, a ser convidado, eu particularmente quando gestor da Rádio Heliópolis viajei praticamente o Brasil inteiro. Pra falar de rádio comunitária, da experiência de Heliópolis. Então é quando a gente recebe uma ligação anônima, dizendo pra gente, era uma questão de honra pra Anatel fechar essa petulante Rádio Heliópolis. Topetuda, onde já se viu! E a gente percebia sempre nos jornais o fechamento de várias rádios comunitárias, chamadas de “Piratas”, em São Paulo e no Brasil inteiro. E o povo falava: cuidado! Nessa, decidimos esconder o equipamento, a rádio ficou fora do ar uma semana. Aquilo era uma tristeza, eu chegava aqui na UNAS e chorava. Então decidimos por no ar e pronto! Chamamos todos os CCA’s aqui na rua da mina, lotou de educadores e crianças. E veio o apoio da ActionAid, outra parceria importante.

 

Daí exatamente no dia 20 de julho de 2006 a rádio foi fechada. Eu estava na sala de reunião lá em cima. A Claudinha estava aqui fazendo seu programa Frequência de Sucesso e chega os caras da Policia Federal. Quando a Anatel fechava rádio, fechava sozinha. Aqui veio com polícia, pensaram: favela, o que vou encontrar lá? Me chamaram, chego e vejo o João Miranda conversando com eles, percebi a gravidade da situação. Liguei pro Sérgio Gomes da Oboré: “- A Anatel tá aqui fechando a rádio, manda email pro brasil inteiro!” Ligamos pro gabinete do Suplicy e do Mercadante. Fizemos uma corrente e chegam montes de e-mails de solidariedade e apoio. Levaram o transmissor, a CPU do computador, dois microfones, aparelho de CD, era a rádio. Aí começa a grande imprensa, os lugares falando: Cala-se a voz de Heliópolis! Levaram o João Miranda preso, que disse: “- Se comunicar e informar a população é crime, então sou um dos maiores criminosos de Heliópolis.” Foi junto.

 

Ligamos para doutura Ana Cláudia, advogada, pois a gente estava nas mesas de trabalho pedindo a legalização das rádios. No dia seguinte, 09:00hs, com a força da UNAS e a comunidade, o telefone toca: era Gilberto de Carvalho, assessor direto de Lula (então Presidente da República), e Dr. Iapi Marota, Superintendente Nacional da Anatel. Gilberto de Carvalho falou: “- Olha Gerô, a gente já se falou em encontro de rádios em SP, vou te passar o Dr  Iapi que vai te explicar algumas coisas: “- Gerô, nós sabemos de sua luta, e trouxemos uma solução. Desde que cês arrumam uma universidade responsável pela rádio, e façam isso, isso e isso”.” Desceu a lauda. Tínhamos que arrumar uma faculdade que avaliasse se éramos de fato comunitária, estudo de frequência. Mas naquele momento era só felicidade, depois fomos abrir uma discussão. Vocês vão estudar um canal que será devolvido pro governo e vão funcionar noutro. E vamos lá, contratar parecer técnico, engenharia, dona Maria de Fátima, por um dinheiro que não tínhamos. Leva um ano pra colocar de novo a rádio no ar, 2006 a 2007.

 

A Rádio tem um histórico muito lindo. Vocês lembram quem puxou todas as outras associações que pretendiam ter rádios? Conseguimos a lei que regulariza as rádios comunitárias. Buscamos um canal pra capital, demos as linhas pro município de São Paulo, mostramos o caminho das pedras. Articulamos todo mundo. Sentamos com Carlos Neder (PT), e com Franco Montoro (PSDB) que fizeram um projeto de lei que resultou na LEI 9.612, que não é a melhor lei, mas é a que temos. Lei nas mãos, fomos discutir com a Anatel, com Dr. Everaldo, presidente em SP: “- Você fala que não é o carrasco das rádios comunitárias, mas quando teremos um canal pra capital, você diz que no dial não tem espaço, e agora?

 

Um ano de silêncio, E aí esses guerreiros aqui da rádio, Zenildo, Regis, Danilo, Renato, Libeira, José Maria, Cida Lourenço, Zefinha, essa equipe ficou todo dia vindo, inteira. Dizia “- Abram computador, email, Orkut, mas não me deixem só.” Assim prometi só sair da rádio quando entregasse ela legalizada. A gente estuda aqui, estuda ali, e a rádio funcionando nessa frequência 87,9 FM. Foi quando veio um parecer em 2008, “a rádio não dá interferência, o Lula tá indo pessoalmente entregar a outorga para liberação.” Chega Lula e diz: “Olha Geronino, olha João Miranda, que vocês falem mal, de parlamentar, de mim, mas falem bem de vocês, tá aqui o papel.” Dilma do lado, Ministra da Casa Civil, Serra prefeito estava e Geraldo Alckmin governador. Aí eu choro, choro, choro! “Conseguimos, Conseguimos!” Todo mundo se abraçou.

Gerô Barbosa - Diretora da UNAS.

Entrevista por: Sylvio Ayala

• A Luta Continua

 

Avançamos muito neste últimos anos, mas as batalhas para manter a Rádio Comunitária Heliópolis, são diárias, atualmente contamos com 22 voluntários e hoje 08 de Maio de 2017 a Rádio Comunitária Heliópolis comemora 25 anos de resistência, sendo um dos principais meios de mídia alternativa aos moradores das periferias paulista e do mundo, sendo transmitida agora também pela internet, levando informação e entretenimento a diversas comunidades.

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ACOMPANHE A PROGRAMAÇÃO DA RÁDIO COMUNITÁRIA HELIÓPOLIS

 

Sintonize no Rádio a frequencia 87,5 FM (na imediações de Heliópolis)

Acompanhe na internet pelo site: www.radioheliopolisfm.com.br

Baixe também o aplicativo: Rádio Heliópolis para Android e IOS

 

 

Veja também a cobertura da Oboré sobre o recebimento da outorga pela Rádio Comunitária Heliópolis.

 

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